Isabel Allende feminismo voltam a ocupar o centro do debate após a escritora chilena abordar, em entrevista internacional, a pressão do patriarcado e os retrocessos recentes nos direitos de mulheres e meninas.
Com 84 anos prestes a serem completados em agosto, a autora mais lida em língua espanhola destacou que governos ultradireitistas têm limitado conquistas históricas, como o acesso ao aborto e à contracepção, sobretudo nos Estados Unidos.
Isabel Allende destaca feminismo e liberdade na velhice
“Melhorou, sim, mas temos de ficar alertas porque tudo pode retroceder”, disse Allende, lembrando que, aos 20 anos, acreditava que a “guerra contra o patriarcado” seria vencida em uma década. Três fatores, segundo ela, explicam a resiliência do sistema: força, poder e ganância, atributos que ainda prevalecem sobre valores associados às mulheres, como mediação e cuidado coletivo.
Autora de mais de 20 livros — traduzidos para 40 idiomas e com 80 milhões de exemplares vendidos —, Allende usa a ficção para retratar violências reais. Ela admite inserir em suas personagens elementos de histórias ouvidas pela ONU Mulheres, organização que sua fundação apoia em projetos de educação e proteção contra a violência de gênero.
Sobre o aumento de lideranças extremistas, a escritora compara a perda de direitos reprodutivos nos EUA a um alerta global. “É incrível como foram retirados tão rapidamente”, afirmou, reforçando que conquistas consideradas definitivas podem desaparecer.
Allende também refletiu sobre a influência dos hormônios na construção de papéis de gênero. Enquanto mulheres se dedicam aos filhos por décadas, homens acumulam vantagens sociais e profissionais, observa. Ainda assim, ela ressalta que a cooperação feminina em tempos de crise garante a sobrevivência de comunidades.
O exílio político durante a ditadura chilena marcou sua trajetória literária. Foi nesse período, na Venezuela, que surgiu “A Casa dos Espíritos”, obra-prima que estreia em minissérie no Prime Video em 29 de abril. “No exílio, eu era anônima. Essa solidão me deu desespero e, paradoxalmente, uma liberdade incrível para escrever”, recorda.
Liberdade, aliás, é a palavra que define sua visão sobre o envelhecimento. “Quando fiz 80, pensei: agora não dou a mínima para nada. Não ouço ninguém e faço tudo nos meus termos”, declarou. Para a autora, a invisibilidade social imposta às mulheres idosas transforma-se em espaço de autonomia: “Você fica fora do mercado sexual e decide o que fazer com seu tempo, energia e corpo”.
Imagem: Lori Barra
Desde jovem, Allende percebeu as limitações impostas às mulheres de sua classe social no Chile dos anos 1940. A falta de renda própria de sua mãe foi determinante para que buscasse independência financeira como secretária. “Segurar meu primeiro cheque foi libertador”, contou.
Hoje, por meio da Fundação Isabel Allende, a escritora financia iniciativas globais focadas em educação, combate à violência e garantia de direitos reprodutivos. Ela afirma que é nesse trabalho humanitário que observa, mais de perto, o impacto das violações que inspiram suas histórias.
Para quem acompanha sua carreira, Isabel Allende reforça que a luta feminista precisa de vigilância constante, seja nas urnas, nas redes ou na literatura. “A história mostra que qualquer direito pode ser revogado. Temos de nos manter mobilizadas”, concluiu.
Resumo: a premiada escritora chilena alerta sobre retrocessos nos direitos das mulheres, celebra a liberdade conquistada com a idade e defende vigilância constante contra o patriarcado. Continue explorando conteúdos sobre empoderamento e autocuidado em nossa editoria de Beleza para ampliar suas referências.
Crédito: Lori Barra


