Larissa Gabriele, 33 anos, recebeu a notícia de que o tratamento contra um câncer de ovário metastático agora é apenas paliativo. Determinada a permanecer ao lado da filha Sophie Loren, de nove anos, a ex-vendedora relata que continua lutando “para que ela não cresça sem a mãe”.
Primeiros sinais ignorados
Em março de 2023, Larissa retirou o útero devido a um mioma. Seis meses depois, dores intensas na lombar, principalmente à noite, passaram a fazer parte da rotina. O incômodo estendeu-se à perna e vieram cólicas, suor noturno, cansaço extremo e desconforto nas relações sexuais. A automedicação mascarou os sintomas até o dia em que sangrou ao urinar e buscou atendimento.
Com histórico de infecção urinária de repetição, ela procurou um urologista. O ultrassom abdominal apontou rins saudáveis, mas indicou alterações na pelve, exigindo exame transvaginal. Durante o procedimento, Larissa sangrou muito e sentiu dores fortes. O laudo sugeriu presença de líquido na pelve e lesões suspeitas de tumor, motivando recomendação de consulta urgente com ginecologista.
O especialista, no entanto, diagnosticou “pequena ferida” a ser cauterizada e minimizou o resultado “inconclusivo”. Desconfiada, Larissa exigiu ressonância magnética. Dez dias depois, veio a confirmação: câncer de ovário em estágio avançado.
Tratamento e primeiras complicações
O Hospital de Amor, em Barretos, iniciou o acompanhamento em janeiro de 2024. Novos exames revelaram que a doença já comprometia ovários, trompas, bexiga, intestino, peritônio e diafragma. O protocolo previa cinco sessões de quimioterapia, cirurgia para retirada de lesões aparentes e quimioterapia de manutenção.
A primeira sessão foi marcada por queda drástica de imunidade. Larissa passou 20 dias internada, sofreu várias intercorrências e chegou a receber prognóstico reservado. “Despediram-se de mim no hospital”, recorda.
Contrariando expectativas, recuperou-se, concluiu as quimioterapias e passou pela cirurgia, mas teve perfuração intestinal e precisou ser ostomizada. Mesmo assim, conseguiu voltar ao trabalho, viajar e retomar a rotina com poucos analgésicos.
Metástase e cuidados paliativos
No início de 2025, dores na costela e nas costas reacenderam o alerta. Novos exames detectaram metástases em pulmão, fígado, coluna, linfonodos e peritônio. A equipe descartou outra cirurgia extensa; restaram quimioterapia para controle da progressão e morfina para dor.
“Senti raiva e vergonha. Parecia que lutei tanto para nada. Foi pela minha filha que resolvi seguir”, confessa.
Imagem: pessoal
Lidiane Furtado, assistente social, paliativista e gerontóloga, destaca que o cuidado paliativo visa conforto físico e emocional, apoio familiar e respeito às decisões do paciente. “O foco é aliviar a dor, preservar dignidade e autonomia durante todo o processo”, resume.
Por que o câncer de ovário costuma ser detectado tardiamente?
A oncologista Andrea Gadelha, vice-líder do Centro de Referências em Tumores Ginecológicos do A.C. Camargo Cancer Center, explica que 70% dos diagnósticos acontecem em fase avançada. “Não existe rastreio efetivo e os sintomas são inespecíficos”, afirma.
Entre os sinais persistentes estão aumento do volume abdominal, desconforto na região, sensação de indigestão, dor pélvica e dificuldade para urinar ou evacuar. A especialista reforça a necessidade de investigação imediata quando esses indícios aparecem e lembra que acompanhamento regular com ginecologista qualificado é fundamental.
Larissa espera que sua história sirva de alerta para outras mulheres sobre a importância da insistência na busca por um diagnóstico preciso. “Se eu não tivesse exigido mais exames, talvez nem estivesse aqui contando”, diz.
A jornada da ex-vendedora prossegue focada no controle da dor e em momentos ao lado de Sophie. “Continuo lutando todos os dias. Enquanto houver chance de estar com minha filha, vou seguir”, conclui.
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