Julgamento dos mandantes de Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, tem início nesta terça-feira (24) no Supremo Tribunal Federal (STF), quase oito anos após o duplo assassinato que chocou o país.
Acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, detidos desde 2024, respondem por arquitetar o crime motivado por disputas territoriais relacionadas a milícias no Rio de Janeiro. A primeira turma do STF, composta por Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, conduz o julgamento.
Julgamento dos mandantes de Marielle Franco começa no STF
Os réus acompanham a sessão da Penitenciária Federal de Campo Grande (MS), onde estão presos. Para as famílias, a data mistura alívio e dor. “Condenação é resposta à democracia brasileira”, afirmou a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, em entrevista concedida horas antes do julgamento.
Marielle Franco e Anderson Gomes foram executados em 14 de março de 2018, no centro do Rio de Janeiro. Em 2024, o processo chegou ao STF depois que as investigações apontaram envolvimento de autoridades com foro privilegiado. No ano passado, a Justiça fluminense condenou os executores: o ex-PM Ronnie Lessa recebeu pena de 78 anos e 9 meses, e o também ex-PM Élcio Queiroz, de 59 anos e 8 meses.
Anielle recorda os “anos de angústia e luta” e reforça que a verdadeira justiça seria a irmã estar viva. Ainda assim, considera o julgamento um marco: “É um recado de que um crime dessa dimensão não pode ficar impune”. Segundo ela, o caso escancarou as conexões entre política, milícia e crime organizado no Rio.
O inquérito segue em expansão. Neste mês, o Ministério Público Federal denunciou três pessoas — os delegados Rivaldo Barbosa e Giniton Lages e o policial civil Marco Antônio de Barros Pinto — por obstrução de justiça e associação criminosa, evidenciando a complexidade da trama.
Especialistas avaliam que o desfecho do processo pode fortalecer a confiança nas instituições democráticas. Conforme nota divulgada pelo Supremo Tribunal Federal, a transparência do julgamento busca “dar resposta à sociedade sobre crimes que afrontam o Estado de Direito”.
Imagem: Bléia Campos
Para a família Franco, cada avanço é parte do compromisso de manter vivo o legado de Marielle, que defendia direitos de mulheres, população negra e moradores de favelas. “Quando lideranças são executadas dessa forma, o que está em jogo é muito maior”, alerta Anielle.
No campo político, a ministra já anunciou que deixará a pasta para disputar cargo eletivo, motivada, segundo ela, pela missão de continuar a agenda da irmã. “Não medirei esforços para defender essa importância”, afirmou.
O julgamento prossegue sem data definida para conclusão. Caso condenados, os irmãos Brazão poderão recorrer apenas em instâncias internas do próprio STF.
Resumo: o início do julgamento no STF representa passo decisivo para responsabilizar os supostos mandantes e sinaliza reforço à democracia brasileira. Continue acompanhando análises e atualizações na nossa editoria especial.
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