Liderança feminina esteve no centro do debate promovido nesta sexta-feira (10) pelo Valor Econômico e pela revista Marie Claire, em São Paulo. A sétima edição do Café com as CEOs reuniu executivas de grandes companhias para discutir os desafios de transformar discursos igualitários em resultados concretos dentro das organizações.
Logo no início do encontro, foi apresentado o estudo “Mulheres na Liderança 2025”, conduzido por Valor, O Globo, Época Negócios, PEGN e Marie Claire em parceria com a ONG Women in Leadership in Latin America (WILL). A pesquisa ouviu 173 empresas de médio e grande porte — 60% nacionais e 40% multinacionais — e mapeou políticas, estruturas e metas dedicadas à equidade de gênero.
Liderança feminina: Café com as CEOs aponta avanços
Os dados mostram que 91% das companhias já monitoram indicadores de gênero e 78% criaram áreas específicas com orçamento próprio para o tema. Outras 67% adotaram políticas formais de promoção da diversidade e 65% colocam a equidade entre as prioridades da chefia executiva. Para Silvia Fazio, presidente da WILL, esses números indicam progresso, mas ainda há distância entre intenção e impacto real. “É preciso medir resultados e não apenas iniciativas”, alertou.
Fazio chamou atenção para sinais promissores, como o aumento de mulheres pretas e pardas em cargos de direção e o reconhecimento crescente de profissionais acima de 50 anos. Segundo a executiva, o movimento reflete mudanças sociais mais amplas no Brasil, que começam a se traduzir em novas oportunidades dentro das corporações.
A programação do Café com as CEOs também trouxe uma perspectiva subjetiva sobre o tema. A psicanalista e escritora Maria Homem antecipou trechos de seu próximo livro, “Procura-se: uma nova liderança para um novo tempo”, que será lançado em junho pela Editora Record. Aos presentes, ela defendeu que a liderança contemporânea exige, além de competência técnica, maturidade psíquica, sensibilidade ética e consciência do próprio papel.
Durante a conversa mediada pelas diretoras de redação Maria Fernanda Delmas (Valor) e Maria Rita Alonso (Marie Claire), a autora lembrou que, historicamente, o poder era visto como atributo quase sagrado. Na modernidade, o critério passou a ser competência. Para as mulheres, contudo, persiste a necessidade de validação constante. “Gastamos muita energia tentando provar que somos suficientes”, afirmou, apontando o desgaste decorrente da pressão por aparência, juventude e performance.
Criado em dezembro de 2023, o Café com as CEOs consolidou-se como espaço seguro para que lideranças femininas debatam temas como políticas públicas, saúde, representatividade e empreendedorismo. A cada edição, o evento busca ampliar a rede de apoio entre executivas e estimular práticas corporativas mais inclusivas.
Imagem: Ana Paula Paiva
Relatórios recentes da ONU Mulheres corroboram a importância de programas focados em diversidade: empresas com alto índice de equidade registram melhor desempenho financeiro e maior retenção de talentos, reforçando o argumento de que inclusão não é apenas questão ética, mas também estratégica.
No encerramento do encontro, as participantes concordaram que o caminho para a equidade depende de metas claras, monitoramento contínuo e, sobretudo, compromisso das altas lideranças. “Quando o CEO assume a agenda, a cultura muda”, resumiu Fazio, destacando que o desafio agora é acelerar a transição das políticas para resultados mensuráveis.
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Foto: Mônica Bento/Valor


