Livros de novembro chegam às prateleiras com um ponto em comum: demonstrar que contar histórias pode ser um poderoso ato de resistência cultural, política e emocional.
As seis obras lançadas este mês, assinadas por autoras e autores de diferentes áreas, abordam temas que vão da intimidade na pandemia à preservação de saberes amazônicos, passando por biografias que resgatam figuras fundamentais na luta contra regimes autoritários.
Livros de novembro destacam resistência pela narrativa
No romance “Eu te amo, cretino” (Seja Breve), a jornalista Milly Lacombe ambienta o embate de Marina e Otávio em pleno isolamento da Covid-19. Entre diálogos ácidos, o casal expõe frustrações e afetos, refletindo a asfixia de um período em que o lar se converteu em claustro.
Bel Coelho percorre o Pará em “Floresta na boca: Amazônia — pessoas, paisagens e alimentos” (Fósforo). A chef registra histórias de comunidades do Baixo Tocantins, Xingu e Tapajós, apresentando receitas e ingredientes como a mandioca, o açaí e a castanha-do-Brasil. A obra reafirma a soberania alimentar amazônica e valoriza conhecimentos ancestrais.
Em “Quem é essa mulher?” (Todavia), a jornalista Virginia Siqueira Starling reconstrói a trajetória de Zuzu Angel, estilista que confrontou a ditadura militar ao exigir respostas sobre o assassinato do filho, Stuart Angel. A biografia de 560 páginas detalha a perseguição sofrida por Zuzu e as circunstâncias de sua morte em 1976.
“Um tipo diferente de poder” (Objetiva) apresenta a autobiografia de Jacinda Ardern, ex-primeira-ministra da Nova Zelândia. Eleita aos 37 anos, Ardern compartilha sua infância rural, a ascensão política e a liderança empática durante crises como a pandemia e eventos climáticos extremos. Como lembra a UNESCO em relatório sobre mulheres líderes, a presença feminina na política amplia perspectivas de governança inclusiva (UNESCO).
Já “O tempo das cerejas” (Companhia das Letras) traduz a habilidade da catalana Montserrat Roig em mesclar o pessoal ao político. Publicado pela primeira vez em 1976, o livro acompanha Natália Miralpeix na Barcelona que emerge do franquismo, expondo as tensões entre memória e futuro.
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Fechando a lista, “Na ciranda do tempo” (Planeta) reúne poemas de Maria Vilani escritos entre 2021 e 2025. A autora reflete sobre finitude, imaginação e a passagem do tempo, reforçando a palavra poética como instrumento de resistência e farol em momentos turbulentos.
Com estilos distintos, esses livros de novembro partilham o compromisso de registrar experiências individuais e coletivas, garantindo que vozes silenciadas encontrem espaço na literatura contemporânea.
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