Manifestações contra o feminicídio unem 80 cidades

Manifestações contra o feminicídio ganharam as ruas do País neste domingo (7), reunindo milhares de pessoas em 80 cidades para exigir o fim da violência de gênero e cobrar políticas públicas de proteção às mulheres.

Em São Paulo, a concentração começou por volta das 13h, ainda antes do bloqueio da Avenida Paulista. Mulheres alinhadas à frente de carros erguiam cartazes com dizeres como “Parem de nos matar” e “Nenhuma a menos”, enquanto motoristas buzinavam em apoio. O ato ocorreu após uma semana marcada por crimes de extrema crueldade, o que elevou o tom de urgência do protesto.

Manifestações contra o feminicídio unem 80 cidades

Organizadora do movimento na capital paulista, a escritora e advogada Alice Ferreira classificou o dia como “vitorioso” e destacou que a mobilização “mostrou a força da união feminina diante dos índices extremos de feminicídio”. Ela defendeu que a crise é estrutural e requer ações de curto, médio e longo prazos para ser combatida.

Figuras públicas reforçaram a visibilidade dos protestos. Na Paulista, estiveram presentes a humorista Lívia La Gatto, vítima de violência digital, a rapper Preta Rara e a cantora Luísa Sonza. No Rio de Janeiro, Juliette lembrou, emocionada, o assassinato da amiga Clarissa, morta com 36 facadas: “Uso minha voz para que nós, mulheres, não sejamos mais assassinadas”.

Além dos nomes citados, militantes mencionaram crimes que chocaram o País nos últimos dias, como a tentativa de feminicídio contra Tainara Souza Santos, que teve as pernas amputadas ao ser arrastada na Marginal Tietê; o assassinato de Isabely Gomes de Macedo e seus quatro filhos em Recife; e o duplo homicídio no Cefet/RJ, que vitimou Allane de Souza Pedrotti Matos e Layse Costa Pinheiro. Casos como o estupro e assassinato da pesquisadora Catarina Karsten, em Florianópolis, também foram lembrados em discursos e faixas.

A mãe de Nicolly Fernanda Pogere, Priscila Magrin, fez um dos relatos mais contundentes ao relembrar o esquartejamento da filha de 15 anos, crime praticado por dois adolescentes influenciados por conteúdos misóginos nas redes sociais. Ela alertou para a necessidade de enfrentar discursos de ódio on-line e de incluir o combate à violência de gênero no currículo escolar.

As reivindicações foram além da punição aos agressores. Orçamento público para abrigos, delegacias especializadas, atendimento psicológico e educação voltada à igualdade de gênero foram pontos centrais nas falas. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.437 feminicídios em 2022, o maior número desde que a tipificação foi criada, reforçando a demanda por medidas concretas.

Muitas participantes levaram filhos e filhas, abrindo diálogo sobre desigualdade desde a infância. Apesar dos convites feitos nas redes sociais, a presença masculina foi tímida e, em geral, limitada a acompanhantes de familiares. Para as organizadoras, somar aliados homens é fundamental para ampliar o alcance das mudanças propostas.

Com o encerramento dos atos, militantes definiram os próximos passos: monitorar projetos de lei, pressionar parlamentares por mais recursos e manter a mobilização viva. “Estamos apenas tentando estancar o sangue neste primeiro momento”, resumiu Alice Ferreira ao fim da caminhada.

Foto: Camila Svenson

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