Marcia Barbosa reage a ataques e faz estudo sobre ódio

Marcia Barbosa reage a ataques e faz estudo sobre ódio. A reitora da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), de 66 anos, decidiu transformar as ofensas recebidas após aparecer de minissaia em um vídeo institucional em objeto de pesquisa acadêmica sobre misoginia e discurso de ódio nas redes sociais.

Reconhecida pela ONU como uma das cientistas de maior impacto global por seus estudos sobre as anomalias da água, Marcia agora quer mapear como esse tipo de hostilidade afeta mulheres, sobretudo as que ocupam posições de liderança na ciência.

Marcia Barbosa reage a ataques e faz estudo sobre ódio

O episódio que motivou o trabalho ocorreu quando ela convidou estudantes a acompanhar o resultado do vestibular da universidade. O tom descontraído, as roupas coloridas e, principalmente, a minissaia que se tornou sua marca dispararam uma sequência de comentários machistas que minimizavam sua trajetória profissional.

Segundo a física, os insultos foram mais profundos que simples críticas ao vestuário. “Homens que nem conhecem minha área se sentem no direito de explicar minha própria pesquisa”, comentou. Para compreender esse mecanismo, Marcia, especialista em física computacional, iniciou a coleta de milhares de mensagens com auxílio de uma aluna, visando identificar palavras-chave recorrentes como “ridícula”, “esquisita” e “velha”.

A investigação também pretende entrevistar divulgadoras científicas para entender como elas lidam com as agressões e quais estratégias garantem permanência nas plataformas digitais. “Queremos construir uma metodologia de resistência”, adiantou a reitora, lembrando que o estudo demandará tempo, como qualquer pesquisa científica.

Além do ativismo, Marcia mantém ativa sua produção acadêmica. Ela foi a única brasileira incluída na lista da ONU de cientistas influentes em 2020 e, desde 2002, organiza conferências internacionais sobre o papel das mulheres na física. A primeira delas, sediada na UNESCO, reuniu representantes de 75 países e lhe rendeu medalha de serviços humanitários da Sociedade Americana de Ciência. Para especialistas, a combinação de excelência científica e militância reforça a autoridade da pesquisadora na defesa da equidade de gênero.

Na administração da UFRGS, a professora aposta na comunicação direta com estudantes pelas redes sociais. Ao assumir o cargo, por exemplo, promoveu um espetáculo que uniu coral e escola de samba no Salão de Atos, gesto simbólico contra a ideia de que manifestações populares não seriam “sérias” o suficiente para o ambiente acadêmico. “Diversidade precisa ocupar todos os espaços”, declarou.

Organizações internacionais de direitos humanos, como a ONU, alertam que o assédio online tende a afastar mulheres da vida pública. O novo estudo de Marcia Barbosa busca oferecer dados concretos sobre essa realidade e propor soluções de enfrentamento.

Para a reitora, o recado final às mulheres na ciência é claro: “Não sofra sozinha. Unam-se e mudem a lógica”. Ela acredita que pesquisadoras, sobretudo negras e do Sul Global, podem construir modelos mais justos de desenvolvimento e equidade.

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Crédito da imagem: Arquivo pessoal

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