Maria Luiza Jobim apresenta nesta semana o terceiro álbum de estúdio, “Rosa no Céu”, consolidando uma trajetória que dialoga com o legado do pai, o maestro Antônio Carlos Jobim, sem se prender a rótulos. Radicada em Lisboa, a cantora mistura bossa nova, pop leve e letras em português e inglês para traduzir experiências vividas entre Brasil e Portugal.
Filha do maestro e da fotógrafa Ana Lontra, a carioca explica que o novo repertório reflete a busca por autonomia artística iniciada ainda na infância, quando, aos 7 anos, gravou “Samba de Maria Luiza” em dueto com Tom Jobim. “Foi preciso tempo para entender que aquela obra também era minha”, afirma.
Maria Luiza Jobim lança ‘Rosa no Céu’ e comenta legado
Para marcar distância e, ao mesmo tempo, reconhecer a herança musical da família, Maria Luiza começou a carreira produzindo música eletrônica sob outro nome. “Queria descobrir quem eu era fora dessa árvore frondosa que é o legado do meu pai”, recorda. Hoje, ela transita com naturalidade entre composições próprias e releituras pontuais do cancioneiro de Tom Jobim, mas avisa: “Nos shows, a maioria do repertório é autoral; só incluo clássicos se fizer sentido artístico”.
Processo criativo entre Lisboa e o Rio
Gravado entre Lisboa e o Rio de Janeiro, “Rosa no Céu” conta histórias de amores vividos na capital portuguesa, embaladas por arranjos que remetem à bossa nova sem abrir mão de um “toque refrescante de pop”, como define a artista. A produção é assinada por Marcelo Camelo, que divide três faixas com Maria Luiza e Mallu Magalhães. “Estávamos na praia da Caparica quando o céu ficou completamente rosa às 21h30. Virou piada interna que batizou o disco”, relembra.
As cores na discografia
Curiosamente, cores são um fio condutor na obra da cantora: “Casa Branca” (2019) homenageia a infância, “Azul” (2023) faz referência ao Rio de Janeiro, e agora o rosa surge como símbolo de otimismo. “Só percebi depois; acho que diz muito sobre a sinergia das minhas criações”, comenta.
Repercussão e turnê pelo Brasil
Otimista, Maria Luiza planeja levar o novo show a Salvador, Belo Horizonte, Recife, Vitória, Fortaleza e Porto Alegre. “Sinto que estou devendo essa turnê ao meu público”, diz, confiante na recepção calorosa do novo trabalho.
Especialistas avaliam que a combinação entre bossa nova moderna e pop melódico amplia o alcance internacional da cantora. Em entrevista recente à revista Marie Claire, ela elogiou a sonoridade do inglês, mas reforçou: “A música brasileira é um negócio sério”.
Imagem: Marina Guimarães
Para quem acompanha a evolução da bossa nova, a relação de Maria Luiza com o legado do pai lembra o movimento de outros herdeiros da MPB, como apontam críticos no caderno Ilustrada da Folha de S.Paulo. A artista, no entanto, insiste que autonomia é palavra-chave: “Demorei, mas entendi que essa herança também me pertence — e posso reinventá-la”.
O álbum “Rosa no Céu” já está disponível nas principais plataformas de streaming, e a agenda de shows deve ser divulgada até o fim do mês. Ingressos e detalhes serão atualizados nas redes sociais da cantora.
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Crédito da imagem: Reprodução


