Massacre de Realengo completa 15 anos; memórias vivem

Massacre de Realengo chega à marca de 15 anos nesta terça-feira (7), mantendo vivo o debate sobre segurança, bullying e misoginia nas escolas brasileiras.

Na manhã de 7 de abril de 2011, a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro, celebrava 40 anos quando o ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, 23, entrou armado e matou 12 estudantes, ferindo outros 13. O ataque durou cerca de 15 minutos e terminou com o suicídio do atirador.

Massacre de Realengo completa 15 anos; memórias vivem

Das vítimas, dez eram meninas entre 12 e 15 anos. Entre elas estava Samira Pires, 13, primeira a ser atingida. “Parece que esse dia não acaba nunca”, recorda a irmã, Valéria Pires. A tragédia motivou a criação da Associação Anjos de Realengo, fundada por familiares como Adriana Silveira, mãe de Luiza Paula, 14, também morta no ataque. A ONG atua contra o bullying e pela cultura de paz nas escolas.

Cronologia do ataque

08h30 – Oliveira passa pela portaria afirmando participar das comemorações.
08h32 – Conversa com ex-professora e segue para o primeiro andar.
08h34 – Entra na sala da professora Leila D’Angelo, onde dispara contra os alunos.
08h45 – Policiais chegam, o atirador é baleado na barriga e se suicida.

Feridas que não cicatrizam

A Lei nº 13.277/2016 instituiu 7 de abril como o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, fruto da mobilização das famílias. “Esquecer é permitir que se repita”, afirma Valéria.

Violência de gênero em foco

Estudo da advogada Isabela Barbosa (2020) aponta motivação misógina no crime: meninas foram alvejadas na cabeça, enquanto meninos sofreram ferimentos em braços e pernas. A análise reforça a classificação de feminicídio em massa, conceito ainda ausente em 2011.

Dados que preocupam

A pesquisa Ataques em Escolas e o Discurso de Ódio Entre Jovens (2025) registrou 49 ataques a instituições de ensino no Brasil desde 2017, muitos alimentados por misoginia em ambientes on-line. Já a PeNSE 2019 mostrou que 39,1% dos estudantes de 13 a 17 anos relataram humilhações recentes; entre as meninas, a taxa sobe para 43,7%.

Políticas públicas e prevenção

Em março, o governo regulamentou a Lei nº 14.164/2021, conhecida como “Maria da Penha Vai à Escola”, incluindo prevenção à violência contra a mulher nos currículos. Para especialistas, ações integradas entre escola, família e poder público são essenciais. Relatório da Unesco sobre violência escolar destaca que programas de mediação de conflitos reduzem em até 30% os episódios de agressão.

Quinze anos depois, o silêncio dos corredores de Realengo ainda ecoa. Mas, para as famílias, transformá-lo em voz ativa é o caminho para evitar novas tragédias.

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Imagem: Reprodução

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