Maternidade e carreira: líderes mostram adaptação

Maternidade e carreira deixaram de ser conceitos antagônicos para um número crescente de executivas brasileiras, que relatam ajustes de rotina em vez de renúncias radicais.

Segundo estudo da FESA Group, 59,1% das mães afirmam sentir impacto profissional após o nascimento dos filhos. Entre mulheres em posições de liderança, porém, ganha força a narrativa de reorganização: tempo mais intencional, presença consciente e prioridades redefinidas.

Maternidade e carreira: líderes mostram adaptação

A apresentadora e empresária Sabrina Sato define a maternidade como “reinvenção cotidiana”. Cada pergunta da filha, diz, reforça a complexidade e a leveza do dia a dia. Ju Ferraz, sócia e diretora de Negócios da Holding Clube, resume a nova dinâmica: “Não é sobre fazer menos; é sobre fazer com mais intenção”.

A investidora Bárbara Brito, grávida do primeiro filho, mantém o olhar no futuro: “Penso no legado que estou deixando”. Para Priscila Pellegrini, CEO da mesma holding, ser mãe ampliou a percepção sobre liderança. “Durante muito tempo venderam a ideia de abrir mão de nós mesmas; acredito no oposto: a maternidade expande identidade”.

Da culpa ao ajuste permanente

A culpa ainda ronda quem equilibra maternidade e carreira exigente. A jornalista Maria Beltrão admite sentir-se responsável por não “fazer tudo perfeitamente”. Sabrina Hoffmann, gerente de Comunicação da Docol, lida com as frequentes viagens através do diálogo transparente com a filha de 8 anos.

Para Giovana De Pieri Degen, head de Marketing da Trussardi, flexibilizar expectativas foi essencial. “Alguns pratinhos caem, e tudo bem”. Flavia Vagen, diretora de Marketing da HOPE, reforça: “O equilíbrio perfeito não existe; importa estar inteira onde estou”.

A vice-presidente da Cimed, Karla Felmanas, mãe de três, descreve o cotidiano como “ajuste permanente de rota, sem pausa ou desligar”.

Rede de apoio, pilar indispensável

Quase todas as entrevistadas destacam a importância de ajuda mútua. “Entendi que não faço nada sozinha”, afirma Silvia Monteiro, CEO da Isla. Claudia Paoli, diretora de Marketing da Centauro, observa que ambientes corporativos sensíveis à jornada materna favorecem a permanência feminina na liderança.

Essa conciliação, contudo, depende de fatores ainda restritos a poucas brasileiras: estabilidade financeira, flexibilidade no trabalho e suporte familiar. O recorte evidencia a necessidade de políticas públicas e empresariais para ampliar esse cenário, tema analisado também pelo ONU Mulheres.

Identidade preservada e ampliada

Manter o próprio nome fora do crachá de “mãe” é recorrente. A influenciadora Silvia Braz, mãe desde a juventude, fez questão de que as três filhas crescessem acompanhando sua trajetória profissional. Já Bianca Andrade reforça que os papéis se sobrepõem: “Não deixo de ser CEO para ser mãe, nem vice-versa”.

A artista Luiza Gottschalk recorda o conselho que norteia suas escolhas: “A melhor coisa que você pode fazer pela sua filha é ser a melhor mulher que puder ser”. Para a arquiteta Fernanda Marques, mãe de trigêmeos, equilíbrio significa presença plena no momento escolhido.

Nova narrativa sobre ambição feminina

Durante décadas, a maternidade foi sinônimo de abdicação profissional. Hoje, vozes como a de Bianca Corona mostram o oposto: ser mãe exige flexibilidade, mas não impede ambição. Flavia Montebeller, CEO e fundadora da MBOOM, afirma ter se tornado “mais estratégica, resiliente e pronta para crescer” após o nascimento do filho.

Para Ciccy Halpern, responsável pelo marketing da Mixed, a experiência trouxe completude: “A maternidade me tornou uma mulher mais inteira”. O discurso converge para a ideia de expansão — pessoal, profissional e emocional — em vez de perda.

Ao transformar culpa em intenção e solidão em rede de apoio, essas líderes reafirmam que maternidade e carreira podem coexistir, ainda que exijam ajustes constantes. O aprendizado comum passa por reconhecer limites, pedir ajuda e manter viva a própria identidade.

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Crédito da imagem: Foto: Divulgação

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