Menopausa precoce após tratamento de câncer fragiliza ossos

Menopausa precoce acometeu a atriz, escritora e jornalista Duda Riedel, hoje com 30 anos, depois do tratamento contra a leucemia iniciado em 2019. A falência ovariana antes dos 40 não só antecipou ondas de calor e alterações hormonais como também fragilizou seus ossos, culminando em fraturas na fíbula e no fêmur.

Diagnosticada com câncer no sangue aos 25 anos, a carioca enfrentou três ciclos de quimioterapia e um transplante de medula óssea. A cura veio acompanhada de novos desafios, entre eles o risco de osteopenia, perda gradual de densidade óssea que se confirmou em exame de densitometria.

Menopausa precoce após tratamento de câncer fragiliza ossos

Durante a internação para o transplante, médicos alertaram que a quimioterapia poderia danificar folículos ovarianos e acelerar o envelhecimento dos ovários. “Na época, meu foco era sobreviver. A possibilidade de não menstruar novamente parecia distante”, recorda Riedel.

Os sintomas, porém, surgiram logo após a cirurgia e foram mascarados pelo isolamento da pandemia. Insônia, irritabilidade e ansiedade se confundiram com o cotidiano do confinamento até que os calorões denunciaram a falência ovariana. Exames ginecológicos confirmaram a menopausa precoce.

Segundo a ginecologista e obstetra Claudiane Garcia de Arruda, membro da Sogesp e da Febrasgo, quimioterapia e radioterapia pélvica costumam reduzir drasticamente a produção de estrogênio. “A queda abrupta do hormônio acelera a reabsorção óssea e abre caminho para osteopenia e, a longo prazo, osteoporose.” A lista de sintomas inclui irregularidade menstrual, ressecamento vaginal, diminuição da libido, fadiga e alterações cognitivas.

Em 2021, Riedel iniciou a reposição hormonal, mas precisou ajustar medicamentos devido a fortes dores de cabeça. Paralelamente, intensificou atividades físicas para preservar massa muscular. Mesmo assim, fraturou a fíbula direita ao começar a correr e, meses depois, o fêmur — o osso mais resistente do corpo humano. O episódio motivou o exame que apontou osteopenia.

“A quebra do fêmur acendeu um alerta. Foi quando percebi que a menopausa precoce interfere em muito mais do que fertilidade”, afirma. Hoje, a jornalista combina musculação, suplementação e acompanhamento endocrinológico para proteger o esqueleto.

Dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia indicam que mulheres que entram na menopausa antes dos 40 anos têm risco até 30% maior de fraturas osteoporóticas na vida adulta. A prática regular de exercícios de força, exposição moderada ao sol e dieta rica em cálcio são recomendações fundamentais.

Arruda reforça que a terapia hormonal, quando não há contraindicação, melhora qualidade de vida e ajuda a conter a perda óssea. “O acompanhamento multidisciplinar é indispensável para monitorar densidade mineral e ajustar reposição de vitamina D, cálcio e medicamentos específicos”, explica.

Para Riedel, o tratamento tem sido decisivo: “Os primeiros anos foram difíceis, mas a reposição hormonal devolveu minha disposição. Agora sigo um caminho mais saudável e seguro”. Apesar dos desafios, ela ressalta que não poder engravidar é “o menor dos problemas” diante da necessidade de manter os ossos fortes.

Crédito da imagem: Divulgação

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