Menopausa precoce alterou drasticamente o futuro reprodutivo da advogada Andressa Bonaldo, 37 anos, de São Paulo. Ao parar o anticoncepcional para ter o segundo filho, ela recebeu, aos 36, a confirmação de que seus ovários já não produziam hormônios suficientes, colocando fim ao sonho de uma nova gestação.
O resultado, inesperado, trouxe à memória o caso da mãe, Maria, que também enfrentou a menopausa por volta dos 40 anos, mas sem diagnóstico ou reposição hormonal. “Na hora eu congelei”, recorda Andressa, para quem a sensação de perder o controle sobre o próprio corpo foi o aspecto mais doloroso.
Menopausa precoce: diagnóstico aos 36 encerra planos de nova gravidez
Os primeiros sinais apareceram em capítulos. Aos 25, um episódio de forte calor passou despercebido. Anos depois, um exame hormonal alterado durante a tentativa do primeiro filho foi colocado em segundo plano quando a gestação veio rapidamente. A virada ocorreu ao interromper a pílula para tentar engravidar novamente: fogachos intensos, insônia, dores musculares, irritação e crises de ansiedade se multiplicaram.
Preocupada, a advogada procurou um clínico geral, realizou bateria de exames e, finalmente, ouviu do ginecologista a palavra que mudaria seus planos: menopausa precoce. Segundo a médica Débora Maranhão, ginecologista do Hospital Santa Catarina Paulista, esse quadro surge antes dos 40 anos e afeta aproximadamente 1% das mulheres. “Em 90% dos casos a causa é desconhecida; nos demais, pode haver fator genético, doenças autoimunes ou tratamentos agressivos”, explica a especialista.
Ter mãe com menopausa antecipada aumenta o risco, mas não define o destino. “Histórico familiar exige atenção, porém não significa sentença”, reforça Débora. Mesmo assim, a experiência de Andressa levou as duas irmãs mais novas a buscar acompanhamento mais cedo.
O impacto emocional veio forte: “Não é só não ter outro filho, é perder a escolha”, desabafa. A redução drástica da reserva ovariana faz com que apenas 5% a 10% dessas mulheres consigam engravidar espontaneamente, cenário que demanda luto pela fertilidade, segundo a médica.
Para aliviar sintomas e proteger ossos e sistema cardiovascular, Andressa iniciou reposição hormonal bioidêntica, ajustada a cada dois meses. Já sente menos dores musculares, sono reparador e humor mais estável, embora reconheça que a adaptação é contínua. Exercícios regulares, alimentação balanceada e apoio psicológico complementam o tratamento, alinhado às recomendações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.
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A advogada também busca informação e rede de apoio. “Sobre menopausa, até que se fala, mas menopausa precoce ainda é tabu. Não aceite insônia, calor excessivo ou tristeza como ‘coisa da idade’. Procure um médico, conte histórico familiar e faça exames”, orienta.
Para quem suspeita estar vivendo a condição, o recado é direto: diagnóstico precoce permite tratamento eficaz e qualidade de vida. “Vai passar, e você não precisa enfrentar sozinha”, conclui.
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