Menopausa precoce, fadiga persistente, névoa mental e queda de fertilidade aparecem como efeitos colaterais pouco falados entre mulheres em tratamento de câncer, mas alteram de forma profunda a vida afetiva, social e profissional das pacientes.
Levantamento do A.C. Camargo Cancer Center, apresentado no San Antonio Breast Cancer Symposium, indicou que 38,3% das mulheres com câncer de mama vivenciaram rompimento amoroso após ao menos seis meses de hormonioterapia; 35,4% relacionaram o término ao tratamento oncológico.
Menopausa precoce impacta mulheres em tratamento de câncer
Entre os fatores citados para o fim dos relacionamentos estão baixa libido, insatisfação sexual, alteração da autoimagem corporal e dificuldades de comunicação. As causas têm ligação direta com a menopausa induzida por quimioterapia e hormonioterapia, que interrompe abruptamente a produção de estrogênio e progesterona. Ondas de calor intensas, ressecamento vaginal e fadiga surgem de um dia para o outro, afetando especialmente pacientes mais jovens.
Sintomas surgem de forma brusca
Ao contrário da perimenopausa natural, na qual as manifestações se instalam lentamente, a queda hormonal no câncer é repentina. Mesmo mulheres já na menopausa podem perceber intensificação dos fogachos. Segundo a oncologista Solange Sanches, a reposição hormonal costuma ser desaconselhada por risco de comprometer o prognóstico, restando medicamentos não hormonais, ajustes de sono e manejo da dor.
Fadiga limita tarefas cotidianas
A fadiga oncológica não se resume ao cansaço comum. Atividades simples, como cozinhar ou dirigir, tornam-se exaustivas. A oncologista Anezka Ferrari, do Hospital Santa Paula, lembra que a literatura médica indica exercício físico como principal estratégia de controle, ainda que pareça paradoxal. Endorfinas liberadas pelo movimento reduzem o esgotamento; no entanto, é essencial investigar anemia, disfunções da tireoide, insônia e depressão antes de atribuir a fadiga apenas ao câncer.
Névoa mental compromete memória
O chamado “chemo brain” provoca lapsos de memória, lentidão de raciocínio e dificuldade para executar tarefas complexas. O risco aumenta conforme o tipo de quimioterápico, idade e qualidade do sono. Para minimizar o problema, Ferrari sugere tratar distúrbios do sono, manter atividade física regular e usar agendas, lembretes e leitura como estímulos cognitivos.
Imagem: Michelle Lan para Pexels
Fertilidade em risco
Mesmo quando a menstruação retorna, pode existir falência ovariana parcial. Estima-se que 40% das mulheres apresentem algum grau de alteração na fertilidade após a quimioterapia. O congelamento de óvulos antes do tratamento seria o cenário ideal, mas o procedimento não é coberto pelo SUS nem por planos de saúde, criando barreira financeira para muitas pacientes.
Mudanças na aparência afetam autoestima
Ganho ou perda de peso, queda de cabelo, cílios e sobrancelhas e cicatrizes cirúrgicas interferem na percepção corporal. Opções como crioterapia do couro cabeludo, próteses capilares, lenços e turbantes podem ajudar. Nutrição adequada, exercícios e uma rede de apoio familiar, profissional e social também são apontados pelas especialistas como pilares de enfrentamento.
Em resumo, reconhecer e tratar sintomas como menopausa precoce, fadiga e névoa mental é fundamental para que mulheres em tratamento de câncer mantenham qualidade de vida durante e após a terapia. Para mais conteúdos sobre autocuidado, visite nossa editoria de Skincare e continue informado.
Crédito da imagem: Getty Images


