Mulheres inseguras nas cidades brasileiras, revela estudo

Mulheres inseguras nas cidades brasileiras são maioria, segundo levantamento nacional da Oma Pesquisa para o Instituto Sou da Paz, divulgado em 18 de dezembro de 2025.

O estudo entrevistou 1.115 pessoas, presencialmente, entre novembro e dezembro de 2025, e constatou que 74% das mulheres não se sentem seguras nos centros urbanos. Entre os homens, esse índice não foi citado, mas o recorte feminino expõe uma disparidade que coloca o gênero em situação de maior vulnerabilidade.

Mulheres inseguras nas cidades brasileiras, revela estudo

Os dados mostram que 83% dos participantes reconhecem a violência contra a mulher como realidade em suas cidades, e 73% apontam a violência sexual. A percepção de risco reflete-se no cotidiano: 63% das mulheres admitiram ter mudado rotina, horários ou trajetos por medo, contra 51% dos homens.

Para a diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, a raiz do problema é cultural. Ela relaciona a insegurança feminina ao machismo estrutural, que objetifica a mulher e normaliza agressões. “Há temor de assaltos, mas também de assédio, de violência sexual, de usar transporte público”, afirma.

A pesquisa indica ainda que políticas públicas atuais tratam a violência de gênero como questão secundária da segurança. Ricardo avalia que a resposta estatal baseia-se sobretudo na prisão do agressor, sem oferecer suporte à vítima para reconhecer o abuso e romper o ciclo. Muitas mulheres, segundo ela, enfrentam revitimização ao tentar denunciar, devido ao despreparo de agentes públicos.

Organizações internacionais, como a ONU Mulheres, endossam a necessidade de ações integradas que combinem prevenção, acolhimento e punição adequada, abordagem que especialistas consideram mais eficaz que medidas exclusivamente punitivas.

Com eleições próximas, Ricardo sugere que o eleitor cobre de candidatos planos claros para enfrentar a violência contra a mulher, exigindo prioridade zero às políticas de proteção feminina.

Em resumo, o estudo destaca a urgência de iniciativas que assegurem o direito de ir e vir de mulheres nas cidades, ampliem a capacitação de agentes públicos e promovam mudanças culturais profundas.

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Crédito da imagem: Instituto Sou da Paz

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