Noemi Jaffe lança “Te Dou Minha Palavra” e aborda literatura

Noemi Jaffe, professora, crítica literária e autora de romances premiados, acaba de publicar “Te Dou Minha Palavra” (Companhia das Letras, 208 págs., R$ 79,90), obra em que retorna à própria juventude como filha de sobreviventes da Shoá para refletir sobre memória e identidade.

No novo livro, a escritora emprega a mesma ourivesaria verbal vista em títulos anteriores, como “O Que Ela Sussurra” (2020) e “Lili” (2021), para ligar fragmentos íntimos e coletivos de história. Ao comentar o lançamento, Jaffe afirma que a literatura “é a forma que os humanos inventaram de inventar coisas que não existem para melhorar o que existe”.

Noemi Jaffe lança “Te Dou Minha Palavra” e aborda literatura

Durante a divulgação da obra, a autora respondeu a uma série de perguntas rápidas que reforçaram sua visão crítica do cenário literário atual. Questionada sobre o que considera mais instigante, ficção ou realidade, ela escolheu a ficção “quando torna a realidade mais ampla e espantosa”. Para analisar seu próprio trabalho, sugeriu Emily Dickinson como crítica clássica e Patti Smith como contemporânea.

Ao projetar a “cara” do romance contemporâneo, Jaffe avaliou que o gênero tem sido prejudicado pela “tematização” excessiva. Mesmo acompanhando as discussões sobre inteligência artificial, disse que baixar todo o conhecimento literário humano ao cérebro “provavelmente pioraria” sua escrita, tornando-a “uma espécie de IA ainda mais precária”.

Entre recomendações e preferências, apontou “Noite dentro da Noite”, de Joca Reiners Terron, como livro subestimado; viveria por um ano em Tlon, universo criado por Jorge Luis Borges; e transformaria as gravuras de Oswaldo Goeldi em um livro de contos sobre a noite e a solidão. Para o presidente da República, a leitura indicada seria “A Queda do Céu”, de Davi Kopenawa.

A autora também revelou que gostaria de escrever sobre “uma pianista que toca Chopin” e escolheu um haikai de Bashô — “casca oca a cigarra cantou-se toda” — para o epílogo de sua vida. Sobre o propósito da literatura, foi categórica: ela serve “para perturbar as concepções convencionais do mundo”.

Nomes e números exatos permanecem centrais na trajetória de Jaffe. “Te Dou Minha Palavra” retoma a juventude da escritora sob a ótica de filha de imigrantes marcados pela Segunda Guerra. Já “O Que Ela Sussurra” reconstrói vidas sob o stalinismo, enquanto “Lili” mergulha no luto pela morte materna.

Para saber mais sobre o catálogo da autora, consulte o site da editora Companhia das Letras, referência no mercado editorial brasileiro (Companhia das Letras).

“Poeta Chileno”, de Alejandro Zambra, foi o último livro que a autora disse ter amado, e, se personagens dela ganhassem consciência, “discordariam da forma como eu as fiz falar”, observou.

O lançamento refirma o lugar de Noemi Jaffe numa geração que questiona limites entre memória individual e coletiva, mostrando que a palavra escrita segue como ferramenta de transformação.

Para continuar acompanhando análises culturais e dicas de leitura, visite nossa editoria Beleza e Estilo e explore mais conteúdos exclusivos.

Crédito: Reprodução

Quando você efetua suas compras por meio dos links disponíveis em nosso site podemos receber uma comissão de afiliado, sem que isso acarrete nenhum custo adicional para você.
Rolar para cima