Orquestra Chiquinha Gonzaga, composta exclusivamente por estudantes da rede pública do Rio de Janeiro, voltou a chamar atenção do cenário musical ao se apresentar com casa cheia no Carnegie Hall, em Nova York. O feito consolida a trajetória internacional do grupo, que já passou por palcos na França, Suíça e Portugal.
O projeto, criado há quase cinco anos, nasceu para enfrentar a escassez de mulheres nos principais naipes de orquestras. Hoje, abrange cerca de mil alunas em 14 polos de formação espalhados pela capital fluminense, das quais 50 integram a orquestra principal.
Orquestra Chiquinha Gonzaga leva alunas do RJ ao Carnegie
À frente da iniciativa está a diretora-executiva Moana Martins, mestre em Etnomusicologia pela UFRJ. Ela explica que o objetivo é permitir que jovens de periferias sonhem alto: “Conhecemos a realidade delas e damos condições para que pensem em faculdade e audições fora do país”. A regência artística é assinada pela maestra Priscila Bomfim.
O processo de formação ocorre em três etapas: primeiro, as meninas aprendem instrumentos de cordas, percussão e teclado; depois, passam a se apresentar em concertos; na fase final, tornam-se professoras, multiplicando o conhecimento. “Há muita força no coletivo, as trocas fortalecem a formação humana”, resume Moana.
A flautista Nathaly Joy, 21 anos, é exemplo desse ciclo. Selecionada há quatro anos, ela já atuou como solista e hoje cursa o bacharelado em Música na UNIRIO. “Tudo o que conquistamos foi juntas. O público se surpreende ao ver meninas da Baixada Fluminense chegarem tão longe”, conta.
Disciplina é requisito: muitas integrantes saem de casa antes das 5h para ensaios. Além do esforço, há desafios de gênero. “Precisamos estudar dobrado para provar que temos o mesmo potencial que os homens”, observa Nathaly.
A manutenção da Orquestra Chiquinha Gonzaga depende da Lei Rouanet e de doações de empresas dos setores de petróleo, gás e financeiro. Segundo Moana, convencer patrocinadores não é simples: “Em três minutos de apresentação, precisamos mostrar que não financiamos apenas um concerto, mas uniformes, instrumentos e bolsas para que as meninas permaneçam no sonho”.
Imagem: Divulgação
Depois de rodar o mundo, o grupo quer um endereço definitivo. Atualmente, os ensaios ocorrem em uma sala cedida na estação Central do Brasil, mas o espaço será devolvido em 2025. Para 2026, está prevista a inauguração do Centro Cultural Chiquinha Gonzaga, próximo à Lapa, bairro onde viveu a compositora que dá nome ao projeto. O futuro centro deve abrigar salas com isolamento acústico, área educativa e exposições sobre mulheres na música.
Enquanto busca recursos para a reforma, a orquestra segue apresentando o talento de suas integrantes. A última turnê culminou na apresentação no histórico Carnegie Hall, marco para qualquer músico profissional. “Queremos que o público nos veja não apenas como um grupo musical, mas como uma casa que multiplica sonhos”, conclui Moana.
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Crédito da imagem: Arquivo pessoal


