Pagode gospel vira ferramenta de resgate na Cracolândia

Pagode gospel vira ferramenta de resgate na Cracolândia. Pagode gospel foi a chave da virada na vida da cantora Kathleen Fontoura, que superou uma década de dependência de crack e hoje leva música e apoio a usuários em situação de rua no centro de São Paulo.

A artista, de 34 anos, cresceu ouvindo louvores na igreja da mãe, mas se distanciou da fé quando conheceu a maconha, ainda na adolescência, e, logo depois, o crack. Entre recaídas, perdas materiais e uma gravidez, ela atingiu o fundo do poço na região conhecida como Cracolândia.

Pagode gospel vira ferramenta de resgate na Cracolândia

Foi no último dia 31 de dezembro antes de sua mudança definitiva que um grupo de pagode gospel chegou tocando e oferecendo ajuda a quem quisesse sair do fluxo. Kathleen pediu para ir embora, aceitou a mão estendida e, desde então, permanece limpa — já são oito anos de sobriedade.

Da primeira tragada ao fundo do poço

Sem histórico familiar de dependência química, Kathleen começou a fumar maconha ao se mudar para Fernandópolis, interior paulista. Aos 20 anos, de volta à capital, uma decepção amorosa a levou ao crack como forma de anestesia emocional. O consumo crescente fez com que perdesse emprego, carro e moradia.

Tentativas de recomeço em outras cidades falharam. No Rio de Janeiro, ela chegou a morar num terreno baldio; mais tarde, já em São Paulo, desapareceu por dias, obrigando a família a registrar boletim de ocorrência. A Cracolândia passou a ser seu endereço frequente, onde engravidou de Heitor, hoje com nove anos.

Gravidez, reabilitação e nova missão

Durante a gestação, a pastora Nice Garcia acolheu Kathleen em uma casa de recuperação. O filho nasceu sem sequelas, mas a cantora ainda enfrentaria recaídas, inclusive no primeiro aniversário do menino. Em meio ao medo e à vergonha, a intervenção musical daquele grupo de pagode gospel marcou o ponto de inflexão definitivo.

A música como ponte para a esperança

Após a internação, Kathleen retomou o violão, passou a compor e viralizou nas redes sociais com canções que falam de fé e superação. Inspirada no grupo que a resgatou, ela fundou seu próprio ministério de pagode gospel, hoje sua principal fonte de renda, com agenda de apresentações em igrejas, casamentos e eventos pelo país.

ONG leva pagode gospel ao ‘fluxo’

Determinada a retribuir a ajuda que recebeu, a cantora criou uma ONG dedicada à reabilitação de dependentes. Voluntários entram no fluxo das biqueiras, oferecem alimentação, orientação e vagas em comunidades terapêuticas parceiras. Segundo Kathleen, o objetivo é mostrar — por meio da música — que “existe uma nova chance de vida”.

Luta diária contra o vício

Mesmo após oito anos limpa, a artista reconhece que o combate à dependência química é diário. Para quem enfrenta o mesmo problema, ela cita a importância do suporte espiritual, familiar e profissional. Informações oficiais sobre tratamento gratuito podem ser encontradas no site do Ministério da Saúde (gov.br/saude).

No palco ou nas ruas, Kathleen Fontoura transformou sua dor em propósito: “Eu saí literalmente do lixo para cantar sobre libertação. Agora vou até onde for preciso para que outros também saiam”.

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Crédito da imagem: Foto: Arquivo pessoal

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