Policial prende agressor que a violentou na infância e encerra uma jornada de mais de uma década em busca de justiça por crimes de abuso sexual cometidos quando ela tinha apenas 9 anos.
A inspetora da Polícia Civil de Chapecó, em Santa Catarina, cresceu sob o impacto dos abusos sofridos por um amigo da família que frequentava sua casa e ganhou a confiança dos pais. O crime começou durante um acampamento e se repetiu por dois anos até que, aos 11, a vítima passou a compreender que era violentada.
Policial prende agressor que a violentou na infância
Mesmo após denunciar o caso ainda na adolescência, a investigação inicial falhou: o delegado responsável era compadre do suspeito e pediu o não indiciamento por falta de provas, ignorando uma fita com confissão gravada pela família. A reviravolta só veio anos depois, quando outra vítima confirmou os crimes e o processo avançou até a condenação judicial em 2014.
Embora sentenciado, o agressor recorreu e permaneceu em liberdade por quase dois anos. Nesse intervalo, a jovem formou-se em Direito e decidiu ingressar na Polícia Civil para fortalecer o combate a crimes contra crianças e adolescentes. Durante o curso de formação, ela fez acompanhamento psicológico para lidar com a raiva e preparar-se para atender outras vítimas.
Quase 12 anos após o último abuso, já lotada na Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI), a policial recebeu a notícia de que o mandado de prisão definitivo fora expedido. A equipe localizou o condenado em uma chácara. Embriagado e armado com uma faca às margens de um rio, ele foi algemado e colocado na viatura. Durante o trajeto até a delegacia, a servidora pública relatou tremer, mas afirmou ter sentido “a lei ao meu lado” ao fechar a porta da cela.
Segundo organizações como o Unicef, a denúncia e a responsabilização do agressor são passos essenciais para a recuperação de vítimas de violência sexual infantil. A policial reforça essa visão: “A justiça faz parte da cura, mas não é a única etapa. É preciso buscar apoio médico e terapia”.
Em 2018, o caso ganhou projeção nacional quando a agente decidiu transformar o relato em livro. A obra “A Calha” (Editora Viseu) levou sete anos para ficar pronta e hoje inspira mulheres que enfrentam situações semelhantes. Ela conta que recebe mensagens de vítimas encorajadas a denunciar: “A ferida só cicatriza quando falamos sobre ela”.
Imagem: Pessoal
Atualmente, a policial dedica-se a investigações de violência doméstica e crimes sexuais. Para colegas, seu histórico pessoal ajuda a criar empatia e a conduzir inquéritos delicados com firmeza. “Passar da condição de vítima à de agente da lei mostrou que é possível romper o ciclo de silêncio”, resume.
Resumo: após anos de silêncio, denúncia frustrada, reabertura do processo e formação em Direito, a vítima tornou-se policial civil e prendeu o agressor que a violentou na infância, transformando a experiência em ferramenta de apoio a outras mulheres.
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Crédito da imagem: Arquivo pessoal da entrevistada


