Ponto A: região que provoca orgasmos mais profundos

Ponto A é o nome de uma área interna da vagina que, quando estimulada, pode desencadear orgasmos profundos, maior lubrificação e sensação de prazer expansivo, segundo sexólogas brasileiras.

Localizado entre 10 cm e 12 cm do início do canal vaginal, próximo ao colo do útero, o chamado Anterior Fórnix Erótico (AFE) ainda é pouco conhecido até mesmo pela comunidade científica, mas relatos de mulheres indicam um potencial erótico expressivo.

Ponto A: região que provoca orgasmos mais profundos

O ponto A foi descrito pela primeira vez em 1997, em um estudo com 271 mulheres conduzido pelo médico malaio Chua Chee Ann. Na pesquisa, dois terços das participantes que sofriam com ressecamento ou dor relataram melhora após 10 a 15 minutos de estímulo; 15 % atingiram orgasmos mais intensos e apresentaram lubrificação aumentada, conforme o artigo disponível no PubMed.

De acordo com a sexóloga Tamara W. Zanotelli, o AFE não é um ponto isolado, mas uma região rica em terminações nervosas e tecido conjuntivo. “Por estar perto do cérvix, a sensação costuma ser mais difusa e relaxante do que a estimulação direta do clitóris”, afirma. A especialista também destaca que a área contribui para o relaxamento da musculatura pélvica, o que amplia o conforto durante a penetração.

Sabrina Munno, sexóloga que atende na plataforma Doctoralia, explica que mulheres que alcançam o ponto A costumam relatar prazer “aprofundado” e maior conexão emocional. No entanto, ela lembra que não existe “botão mágico”: cada corpo reage de forma diferente, e fatores como contexto, excitação prévia e segurança emocional influenciam diretamente na experiência.

A ginecologista e sexóloga Patrícia Carneiro, da clínica AMO (Salvador), diferencia o ponto A do famoso ponto G. Enquanto o ponto G fica entre 3 cm e 5 cm, na parede frontal da vagina, o AFE está mais no fundo. “O ponto G gera uma pressão localizada, muitas vezes acompanhada da vontade de urinar. Já o ponto A provoca excitação gradual e difusa”, explica. A médica recomenda boa lubrificação para evitar desconforto e lembra que, quando o desejo está alto, o colo do útero desce levemente, facilitando o acesso.

Benefícios e cuidados

Zanotelli aponta que estimular o ponto A pode acelerar a lubrificação vaginal, reduzir a dor durante a relação e intensificar o orgasmo. Por outro lado, mulheres com vaginismo, endometriose, infecções ginecológicas ou dor pélvica crônica devem buscar avaliação médica antes de investirem em penetrações profundas. Sinais de alerta incluem sangramento anormal, secreção com odor, ardência ou dor persistente.

Como explorar o ponto A

As especialistas sugerem um caminho de autoconhecimento antes da exploração direta. Toques suaves em coxas, virilha e abdômen, aliados a respiração consciente, ajudam a despertar sensações. Na masturbação, o ideal é inserir um dedo lubrificado com movimentos lentos, sentindo primeiro o ponto G e avançando progressivamente até a região próxima ao colo do útero. Caso os dedos não alcancem, brinquedos curvos ou vibratórios podem auxiliar.

Em parceira, posições que elevam o quadril — como a cavalgada frontal com a pessoa sentada ou a penetração com suporte de travesseiros sob a lombar — favorecem o contato com a parede anterior vaginal. Ajustar o ângulo de penetração e combinar estímulo clitoriano simultâneo potencializam o prazer.

Dose de segurança

O excesso de empolgação pode levar a desconforto se o avanço for brusco. Portanto, o ritmo deve ser crescente, sempre com lubrificante para evitar microlesões. Caso surjam dor aguda, medo recorrente ou contrações involuntárias fortes, a recomendação é interromper e, se necessário, procurar orientação profissional.

Embora a ciência ainda tenha muito a descobrir sobre o ponto A, o tema evidencia como o prazer feminino segue subexplorado. Investir em informação, diálogo e práticas seguras é passo fundamental para que mais mulheres reconheçam as múltiplas possibilidades do próprio corpo.

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Crédito da imagem: Reprodução

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