Professora demitida por burnout descreve como a rotina exaustiva em uma escola de elite da capital paulista levou ao afastamento médico e, posteriormente, à perda do emprego. Mirella Lucchesi, 43 anos, soma 20 anos de carreira e agora inicia um processo de reconstrução pessoal e profissional.
Nascida em Santos (SP) e formada em Química pela Unesp de Araraquara, Mirella lecionava havia sete anos na mesma instituição quando recebeu o diagnóstico de esgotamento profissional. A jornada começava às 7h e se estendia até depois das 16h, seguida de provas, correções e relatórios. “O calendário é apertado; estamos sempre devendo algo”, resume.
Professora demitida por burnout relata recuperação
A educadora afirma que a escola atribuía ao professor a responsabilidade completa pelos resultados, sem oferecer apoio coletivo. “Se a aula ia bem, era mérito da escola; se o aluno ia mal, era culpa da professora”, diz. Segundo ela, a gestão mudou ao longo dos anos e passou a priorizar planilhas de desempenho em vez da qualidade pedagógica.
Sintomas físicos e licença médica
Em 2024, o corpo sinalizou que algo estava errado: interrupção do ciclo menstrual levou Mirella a procurar atendimento médico. Orientada por uma ginecologista, passou por um psiquiatra que confirmou o burnout. A primeira licença, de 14 dias em novembro daquele ano, não trouxe mudanças no ambiente de trabalho. Em julho de 2025, durante as férias, um equívoco sobre a data de retorno desencadeou nova crise, resultando em um afastamento de 150 dias.
A demissão e a falta de suporte institucional
A licença terminou em 25 de dezembro de 2025. Sem qualquer contato por parte da escola durante o período, Mirella realizou exame de retorno em janeiro de 2026. Três dias antes da reabertura oficial, recebeu e-mail da direção convocando reunião; ali foi informada da demissão sob a justificativa de “readequação do quadro”. A instituição não registrou Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) nem reconheceu o nexo entre doença e serviço.
Vida após o burnout
Entre melhora e recaídas, a professora descreve o afastamento como um luto múltiplo. Mãe solo, precisou lidar com a culpa de não “dar conta” e com o desafio de preencher o tempo livre. Práticas manuais, como crochê, e a mudança para uma casa com quintal ajudaram a desacelerar. Ela também reduziu estímulos digitais e voltou a usar papel e canetas para organizar tarefas.
Engajamento e novos projetos
Ao tornar pública a demissão em suas redes sociais, Mirella atraiu relatos de outros docentes que vivem situações semelhantes. O objetivo agora é criar um espaço coletivo voltado à saúde mental de mulheres. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que o burnout impacta milhões de trabalhadores e pode levar à incapacidade laboral se não houver intervenção adequada.
Imagem: Reprodução
Para a ex-professora, a experiência reforçou a importância de políticas institucionais que previnam o esgotamento e ofereçam suporte após o diagnóstico. “Bastava comunicação clara para não gerar mais ansiedade”, afirma.
Resumo: o caso de Mirella ilustra como jornadas intensas, metas rígidas e falta de reconhecimento podem culminar em adoecimento psicológico e demissão. Reconhecer os sinais precoces, buscar ajuda médica e cobrar responsabilidade das organizações são passos essenciais para evitar histórias semelhantes.
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