Professora e aluna transformaram um vínculo acadêmico em uma história de amor que já dura quase nove anos. As gaúchas Jade Toschi, 29, e Yáskara Arrial Palma, 43, conheceram-se em 2016 na faculdade de Psicologia, em Porto Alegre, e hoje planejam a chegada do primeiro filho.
O relacionamento começou apenas dois anos após o fim de qualquer hierarquia em sala de aula, mas, mesmo assim, o casal enfrentou críticas e ameaças de denúncia por parte de colegas universitários.
Professora e aluna: casamento e planos de gravidez
Yáskara lecionava Psicologia Social quando Jade era sua estudante. Segundo a professora, a confusão entre vínculos no ensino superior e situações de vulnerabilidade típicas do ensino médio levou parte da comunidade acadêmica a interpretar a relação de forma equivocada. “Era uma ligação entre duas mulheres adultas, sem qualquer favorecimento”, destaca.
Do campus ao romance
Após coincidências pessoais e afinidades políticas motivadas pelo cenário eleitoral de 2018, ambas perceberam que queriam viver esse sentimento. Na época, cada uma finalizou um relacionamento heterossexual para assumir, discretamente, o namoro. O receio maior era de que Jade fosse vista como beneficiada academicamente ou que Yáskara estivesse se valendo de sua posição para seduzir a aluna.
Quando tornaram o romance público, rumores correram pelo campus. Houve até tentativa de iniciar um processo judicial, que não avançou, mas abalou o cotidiano das duas. “Nossa privacidade foi invadida. Era comum encontrar alunos no mercado e precisar soltar a mão”, lembra Jade.
Perseguição e mudança acadêmica
Após um semestre de tensão, Jade optou por trocar de instituição para concluir a graduação em paz, decisão que considera acertada. O casal recorreu à terapia para lidar com a pressão. “Estávamos muito unidas; isso nos fortaleceu para sustentar a relação”, conta Yáskara.
Jade concluiu o curso e passou a atuar em uma casa-lar ligada a políticas públicas na zona sul de Porto Alegre. Já Yáskara recebeu convite para lecionar em Belo Horizonte, para onde se mudaram em 2021. Nos quatro anos na capital mineira, viveram a experiência de recomeçar longe da família e consolidar a parceria.
Casamento e nova vida
O casamento no civil ocorreu em Belo Horizonte em 2023, seguido de uma cerimônia em Porto Alegre para familiares e amigos. Para Yáskara, a união formalizou um compromisso que, na prática, já existia: “Nunca houve pedido; simplesmente decidimos ficar juntas em meio ao turbilhão”.
Imagem: Reprodução
Casamentos homoafetivos têm crescido no Brasil desde 2013, quando o Conselho Nacional de Justiça regulamentou o tema. Segundo dados da Agência Brasil, a formalização de uniões entre pessoas do mesmo sexo aumentou 61,7% na última década, contexto em que Jade e Yáskara se inserem.
Projeto de maternidade
Em 2024, Jade iniciou fertilização in vitro (FIV); a transferência de embriões está marcada para março. O plano é que ambas participem da amamentação: enquanto Jade gestará, Yáskara passará por estimulação hormonal para produzir leite. “Sempre quis gestar”, diz Jade. Já a esposa pensava em adoção, mas abraçou a ideia do bebê biológico.
Ao avaliar quase nove anos de trajetória, Jade afirma não ter arrependimentos: “Se tivéssemos cedido ao medo, eu teria perdido uma parceira de vida extraordinária”.
No futuro, o casal pretende regressar ao Rio Grande do Sul, onde mantém laços familiares e profissionais. A maternidade deve ser o próximo capítulo dessa história que começou entre carteiras universitárias e resistiu a preconceitos.
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