Quitéria Chagas, rainha de bateria do Império Serrano, volta à Marquês de Sapucaí neste carnaval para celebrar 26 anos de desfiles e reforçar sua militância pela valorização das mulheres negras no samba.
Aos 45 anos, a artista comanda a bateria que levará à avenida o enredo dedicado à escritora mineira Conceição Evaristo, repetindo a combinação de performance impecável e discurso combativo que marcou sua trajetória.
Quitéria Chagas brilha no Império Serrano e defende reinado
Referência de elegância e presença cênica, Quitéria estreou na passarela do samba aos 19 anos, após aulas de dança com o coreógrafo Carlinhos de Jesus, que recorda a naturalidade da pupila: “Quando ela entra, todos param para assistir a uma verdadeira rainha”.
A protagonista reconhece a responsabilidade de ser inspiração. “Alguém precisa fazer história. Sei que serei lembrada eternamente; as pessoas passam, a história fica”, afirma. Sua principal bandeira é transformar o posto de rainha de bateria em quesito oficial, ideia que abre espaço para sambistas de menor poder aquisitivo e aumenta a representatividade negra na elite do carnaval.
Hoje, Quitéria vê frutos concretos desse ativismo. Quando começou, apenas ela e Raíssa de Oliveira, então na Beija-Flor, ocupavam lugares de destaque entre as escolas do Grupo Especial. Atualmente, nomes como Mayara Lima, do Paraíso do Tuiuti, mostram avanço na ocupação feminina e preta das coroas de bateria.
O cuidado com o corpo também faz parte do “reinado” permanente. Parceira da Espaçolaser, a bailarina investe na depilação a laser para enfrentar ensaios longos, figurinos pesados e atrito constante. “Não é só estética, é bem-estar”, resume.
Multitalentosa, ela é bailarina, psicóloga, palestrante, atriz, doula e escritora. Em 2023 lançou a biografia “Quitéria Chagas: do carnaval para o mundo — a rainha que quebrou barreiras”, e prepara a série documental “Quitéria Chagas: corpo, coroa e caminho”, em quatro episódios, que narrará sua jornada no samba.
Quitéria coleciona ídolos que impulsionam seu engajamento, como Dona Ivone Lara e tia Eulália, mulheres que ajudaram a fundar o Império Serrano. Entre as vozes vivas, destaca o baluarte Aluísio Machado, que compôs um samba-enredo em sua homenagem durante a pandemia. “Ela trouxe poesia, alegria e malemolência à escola”, afirma o compositor.
Imagem: Guido Dowsley
Ao escolher Conceição Evaristo como tema central da escola, Quitéria reforça o elo entre arte e resistência. A escritora, conhecida pelo conceito de “escrevivência”, ganhou projeção internacional e foi retratada em veículos como a BBC, que destacou a força de sua literatura no combate ao racismo.
Mesmo com tantas conquistas, a soberana mantém metas claras: sonha com uma capa de revista que reúna todas as rainhas de bateria negras do Rio de Janeiro e defende melhores condições para as passistas que sustentam o espetáculo com seu talento.
Na contagem regressiva para o desfile, Quitéria promete emoção. “Espero que minha trajetória siga ecoando e inspirando outras histórias”, diz, certa de que a coroa vai muito além do brilho das pedrarias.
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Crédito da imagem: Guido Dowsley


