Recorde de maior onda surfada por mulher mobiliza a comunidade do surfe após a brasileira Michelle des Bouillons encarar, em dezembro de 2025, uma parede de 24,99 metros na Praia do Norte, em Nazaré, Portugal. A marca, ainda em verificação oficial, pode superar o recorde feminino atual de 22,4 m, pertencente a Maya Gabeira desde 2020.
Na ocasião, Michelle disputava a etapa do WSL Big Wave Challenge e entrou no mar determinada apenas a performar bem. “Mesmo que eu não vencesse, queria que fosse uma boa disputa”, contou à revista Marie Claire. Sem medo, concentrou-se em “dar tudo” no evento.
Recorde de maior onda surfada por mulher: brasileira perto
A confirmação do feito depende da análise dos registros em vídeo realizada por especialistas da World Surf League — processo que pode levar meses. Enquanto aguarda, a atleta já celebra: “É a onda mais importante da minha carreira; representa esforço, dedicação e paixão”. O recorde oficial, se homologado, será mais um capítulo na escalada feminina no big surf.
Michelle pratica o surfe de ondas gigantes há nove anos, mas sua ligação com o esporte nasceu bem antes. Filha de surfistas do Rio de Janeiro, cresceu entre pranchas produzidas pelo pai no quintal de casa e, aos 12, estreou em campeonatos amadores. Cinco anos depois, profissionalizou-se, alternando a carreira de atleta com trabalhos como modelo, apresentadora no Canal Off e comentarista do SporTV.
Detentora de dupla nacionalidade, brasileira e francesa, mudou-se em 2016 para Hossegor, na França, onde aprofundou seu contato com ondas gigantes. A rápida evolução rendeu convites para competições mundiais, novos patrocínios e conquistas como o Campeonato Brasileiro de Ondas Grandes e o prêmio de Maior Onda do Ano no Surfer Big Wave Challenge 2024.
Apesar dos avanços técnicos, Michelle destaca desafios específicos às mulheres. A surfista precisou testar diferentes métodos contraceptivos para lidar com o ciclo menstrual durante as competições e conta com o apoio de uma equipe majoritariamente masculina para manter o equilíbrio físico e mental. O preparo psicológico, segundo ela, inclui bloquear pensamentos sobre quedas e confiar no treinamento de resgate por jet ski.
Imagem: Yana Vaz
O cenário feminino no big surf cresce, mas ainda carece de mais presença, especialmente na pilotagem de jet skis. Michelle planeja incentivar novas atletas a assumir essa função crucial. “Ter duplas femininas ainda não existe no Mundial; será incrível quando acontecer”, projeta.
Quanto ao futuro, a carioca — casada há oito anos com o também surfista Ian Cosenza — admite o desejo de ser mãe, mas mantém o foco na carreira em 2026: “Quero buscar títulos, não só da maior onda, mas também o de melhor surfista do ano”.
Segundo a World Surf League, a etapa de Nazaré segue como referência máxima do surfe de ondas grandes. Caso a medição confirme os 24,99 m, Michelle des Bouillons assumirá o posto de maior onda já surfada por uma mulher, solidificando o Brasil como potência na modalidade.
Para acompanhar outros conteúdos inspiradores sobre performance, saúde e bem-estar, visite nosso portal e continue navegando pela editoria. Foto: Rennan Chaves


