Reversão da bariátrica devolveu a rotina saudável à cabeleireira Dressey Loise Oliveira Cesar, 36 anos, que anos antes engordou 20 quilos para conseguir passar pela cirurgia de redução de estômago.
A curitibana, diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e distorção de imagem, nunca atingiu o peso exigido para a operação. Orientada por um médico, ela ganhou os quilos extras, realizou o procedimento, enfrentou nove anos de efeitos colaterais graves e, em 2024, decidiu desfazer a intervenção.
Reversão da bariátrica: curitibana conta mudança de vida
Dressey descreve que a relação conflituosa com o corpo começou na infância. Filha de um pai fisiculturista e de uma mãe com obesidade, cresceu entre conselhos rigorosos sobre dieta e a insatisfação materna com a balança. O ambiente familiar, segundo a psicóloga Teresa Muller, especializada em transtornos alimentares, pode servir de modelo negativo e levar filhos a internalizar padrões disfuncionais — avaliação respaldada por estudos citados pelo Ministério da Saúde (gov.br).
Alvo de bullying na escola, a cabeleireira buscou a lipoaspiração aos 16 anos, mas a frustração com a própria imagem persistiu. Na primeira consulta para a bariátrica, pesava 88 quilos e foi informada de que não se enquadrava nos critérios clínicos. Ouviu então a orientação para engordar 20 quilos e, motivada pela ansiedade, chegou ao peso solicitado.
Após o bypass gástrico, vieram náuseas constantes, síndrome de dumping, diarreia crônica e perda de cabelo. “A bariátrica operou o estômago, não a cabeça”, afirma. O quadro evoluiu para depressão, agravada pelo fim de um relacionamento conturbado.
Nove anos depois, com acompanhamento psicológico e espiritualidade fortalecida, a paranaense procurou um cirurgião disposto a realizar a reversão, coberta pelo convênio. Submetida novamente às dietas de transição, ela relata que, quatro meses após a cirurgia, voltou a comer de tudo, sem complicações intestinais, e considera a decisão “a melhor da minha vida”.
A especialista Teresa Muller alerta: comentários negativos dos pais sobre o corpo dos filhos ou pressão para emagrecer podem desencadear transtornos como anorexia, bulimia, ansiedade e depressão. Já o Ministério da Saúde reforça que a cirurgia bariátrica deve ser indicada apenas em casos de obesidade grave, aliada a tratamento multiprofissional.
Imagem: AdobeStock
Para quem busca ajuda, psicoterapia, acompanhamento nutricional e avaliação médica são passos essenciais antes de optar por qualquer procedimento invasivo. Dressey reforça: “Hoje entendo que autoestima não se opera”.
Esta história ressalta a importância de critérios médicos rigorosos, suporte emocional e informação de qualidade antes de decisões drásticas sobre o corpo.
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Crédito da imagem: Arquivo pessoal


