Sobrevivente do tsunami na Tailândia relata resgate

Sobrevivente do tsunami na Tailândia, a médica brasileira Karina narra em detalhes como o mergulho de rotina, em 26 de dezembro de 2004, acabou salvando sua vida e a de seu marido, Isac, durante a tragédia que devastou o sul do país asiático.

O casal, que mergulha há 12 anos em destinos como Fernando de Noronha e Abrolhos, chegou a Patong, em Phuket, na noite de Natal após 52 horas de viagem. O roteiro previa dias de lazer em Phi Phi e Similan Island, pontos famosos entre mergulhadores.

Sobrevivente do tsunami na Tailândia relata resgate

Na manhã do dia 26, já em Phi Phi, Karina e Isac mergulhariam em Koh Bida, a 23,5 m de profundidade. Um atraso de 30 minutos no barco foi decisivo: quando a onda gigante avançou, os dois ainda estavam submersos, protegidos por uma formação rochosa que também encobria a embarcação.

Sem perceber o desastre, o grupo voltou à superfície e iniciou o retorno à ilha. Pedaços de madeira boiando e o relato de barqueiros tailandeses alertaram para o que havia ocorrido. Perto da costa, redemoinhos impediam a atracação; o cais de concreto fora destruído.

Após vagar por uma hora e meia, os passageiros saltaram no mar barrento e nadaram 150 m até uma encosta. Na trilha que levava ao hotel, o cenário era de destruição: barro, peixes mortos, um barco dentro da recepção e turistas em pânico.

Um novo alarme de “big wave” levou todos ao ponto mais alto da ilha — o restaurante do hotel. Lá, Karina, ao lado de duas médicas inglesas e de Isac, improvisou um posto de atendimento. As três horas seguintes foram dedicadas a classificar feridos, distribuir medicamentos e oferecer apoio emocional a vítimas que perderam parentes.

Os traumas físicos eram, em sua maioria, musculares, mas o impacto psicológico foi profundo. Karina relata ter visto pais sem filhos e corpos de vítimas empilhados em caminhonetes. “Parecia um campo de guerra”, recorda.

Cerca de 24 horas depois, a energia foi restabelecida e as primeiras imagens do desastre apareceram na CNN. Só então o casal compreendeu a dimensão do tsunami, que matou mais de 220 mil pessoas na região, segundo levantamento da BBC.

Os dois tentaram deixar Phi Phi durante dois dias. Em 28 de dezembro, conseguiram vaga em um barco para Phuket e, de lá, voaram a Bangcoc. No aeroporto, assinaram a lista de sobreviventes brasileiros; Karina recebeu o número 1. Em 29 de dezembro, chegaram a São Paulo e encontraram familiares vestindo camisetas com a mensagem “Karina e Isac, amamos vocês”.

Hoje, a médica credita a sobrevivência ao mergulho e à proteção que acredita vir do espírito do pai. Ela pretende continuar explorando o fundo do mar e, um dia, retornar à Tailândia. Seu desejo final é ter as cinzas espalhadas em Koh Bida, “o mar que a protegeu”.

No balanço dos acontecimentos, Karina reforça a importância do preparo em situações de emergência e do apoio mútuo entre viajantes. Para ela, o episódio mudou para sempre a forma de encarar a vida, mas não diminuiu o amor pelo oceano.

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Crédito da imagem: Marie Claire

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