SPFW N60: Angela Brito explora Pangeia em coleção autoral surge como destaque da edição outono-inverno 2024 do São Paulo Fashion Week. A estilista, nascida em Cabo Verde, criada em Portugal e radicada no Brasil há 31 anos, levou à passarela do Centro Cultural São Paulo, neste domingo (19), criações que dialogam com deslocamentos geográficos e culturais.
Fundadora de sua grife homônima há 11 anos, Angela sustenta a alfaiataria como espinha dorsal do trabalho, alinhando símbolos tradicionais cabo-verdianos a um design de construção arquitetônica. A nova linha, batizada de Pangeia, retoma uma pesquisa iniciada em 2018 sobre o supercontinente que, há milhões de anos, unia toda a massa terrestre antes de se fragmentar.
SPFW N60: Angela Brito explora Pangeia em coleção autoral
Com base em mapas em preto e branco, a coleção privilegia essas duas cores, pontuadas por vermelho e bege encontrados em um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A única estampa, desenhada em parceria com o músico e artista luso-cabo-verdiano Dino D’Santiago, transforma linhas cartográficas em rostos humanos e ganhou performance ao vivo durante o desfile.
Pregueados precisos, patchwork que simula continentes unidos e placas têxteis sobrepostas revelam modelagem complexa, embora de aparência simples. Detalhes como recortes inusitados nas jaquetas traduzem rupturas tectônicas, enquanto layers móveis remetem ao movimento constante das placas geológicas.
A designer traz para a moda a lógica adquirida em quatro anos de estudos em Engenharia. “Essa bagagem técnica me ofereceu outro olhar para a criação”, contou após o desfile. A análise racional se soma à intuição, principalmente depois da pandemia, quando decidiu priorizar projetos autorais em detrimento de demandas comerciais imediatistas.
Apesar de se afastar de tendências velozes, Angela evidencia contemporaneidade e questiona estereótipos sobre moda africana. “Esperam estampas coloridas, mas no Cabo Verde tradicional usamos preto e branco, camisa e saia pregueada”, explica. Para ela, ancestralidade não exclui modernidade: artesãos brasileiros que produzem bordados e calçados para a marca carregam saberes históricos sem abrir mão de linguagem atual.
No ateliê do Rio de Janeiro, qualquer peça de qualquer coleção pode ser comprada ou encomendada, estratégia que consolidou uma clientela fiel nos últimos cinco anos. “Quem chega quer Angela Brito, e isso não tem preço”, resume a estilista.
Imagem: Agência site
Para mais detalhes sobre o evento, consulte o site oficial da São Paulo Fashion Week, referência em moda nacional.
Angela encerrou a apresentação reafirmando que o caminho da marca pode ser mais longo, mas também mais verdadeiro, guiado por respeito, pesquisa e liberdade criativa.
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