Sued Nunes disputa Artista Revelação no Latin Grammy e leva a voz que nasceu em Sapeaçu, no Recôncavo Baiano, direto para o palco de Las Vegas, onde acontece a 26ª edição da premiação nesta quinta-feira (13).
Aos 27 anos, a cantora acumula feitos que começaram quando, ainda menina, ganhou um violão no lugar da boneca desejada. O incentivo do pai transformou o bico inicial em vocação: vieram as primeiras apresentações em bares locais e, em 2021, o estouro de “Povoada”, música que já soma mais de 13 milhões de streams no Spotify.
Sued Nunes disputa Artista Revelação no Latin Grammy
O sucesso de “Povoada” foi potencializado por um remix dos DJs Maz e Antdot, invadindo redes sociais com cenas que vão de passeios de balão na Capadócia a pistas de techno. Esse alcance orgânico abriu caminho para “Travessia”, álbum de estreia responsável pela indicação ao Prêmio Multishow 2024, e para “Segunda-Feira”, lançado em setembro, obra que lhe rendeu a nomeação ao Latin Grammy na cobiçada categoria Artista Revelação.
Em entrevista, Sued contou que não viu seu nome na transmissão inicial dos indicados e já aceitava o desfecho quando recebeu a confirmação por mensagem: “Só senti a água pegando nos meus olhos”, relembra. Para ela, a força da candidatura está na universalidade de suas composições, muitas vezes marcadas pela fé e por reflexões sobre ancestralidade.
Nascida em família de sincretismo religioso — seu nome é “Deus” ao contrário —, a artista diz que começou a escrever sobre identidade negra durante a transição capilar. “Eu não vou automatizar nada só porque uma música deu certo”, afirma, ressaltando a importância de preservar saúde mental diante das pressões por números nas plataformas.
Segundo a Academia Latina de Gravação, a categoria Artista Revelação reconhece intérpretes que lançaram impacto significativo no último ano. Sued divide o espaço com a também brasileira Juliane Gamboa e outros oito nomes da cena latina.
A cerimônia em Las Vegas marcará não apenas a possível conquista do gramofone dourado, mas também a primeira viagem internacional da baiana. “Minha voz é meu maior meio de transporte, ela me leva a lugares onde ainda não pisei”, resume, emocionada, ao olhar para a própria trajetória.
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Mesmo alvo de episódios de intolerância religiosa, a autora de “Roupa Branca” prefere responder com música. “O barulho do preconceito é menor do que o das pessoas que se conectam com a arte”, diz, certa de que sucesso significa “ter descoberto meu caminho, com todos os desafios e conquistas”.
Sued Nunes chega à noite do Latin Grammy determinada a celebrar, independentemente do resultado, e já planeja novas canções que traduzam coragem sem a necessidade de exibir luta permanente. “É preciso soltar o que escrevi para que as letras ganhem vida própria”, conclui.
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