Tássia Magalhães, eleita a melhor chef mulher da América Latina pelo prêmio World’s 50 Best Restaurants, declarou que a gastronomia italiana tem desempenho superior no Brasil em comparação à própria Itália. A afirmação foi feita durante o menu-degustação que celebra os quatro anos do Nelita, restaurante paulistano comandado por uma equipe 100% feminina.
No balcão com apenas dez lugares, a jornalista acompanhou a coreografia da cozinha aberta enquanto saboreava pães com manteiga noisette, ravióli de tomate com caldo de galinha e ganache de foie gras, entre outras criações que reforçam a proposta autoral da chef de 36 anos.
Tássia Magalhães: gastronomia italiana brilha no Brasil
Reconhecido como 12º melhor restaurante da América Latina em 2025 — e segundo colocado entre os brasileiros, atrás apenas do Tuju —, o Nelita mantém lotação constante, impulsionada pela recente premiação. “Prêmio é consequência; ambiente respeitoso e casa cheia valem mais”, resume a chef, que optou por liderar pelo respeito em vez do velho modelo de gritos no serviço.
A brigada feminina, composta por 11 profissionais, foi alvo de ceticismo inicial. “Disseram que não funcionaria ou seria só marketing”, lembra Tássia. A prática, porém, desmentiu os críticos: “Elas se ajudam, uma segura a mão da outra. A base de respeito aqui é fora do normal”.
Natural de Guaratinguetá (SP), Tássia iniciou a carreira aos 18 anos, passou pelo Pomodori — então comandado por Jefferson Rueda — e chegou a chef da casa aos 23. Depois de estágio na Dinamarca, assumiu a missão de renovar todo o cardápio em apenas um mês, introduzindo delicadeza às massas sem recorrer aos clássicos usuais.
Entre as criações atuais, destacam-se o nhoque de ricota com caldo de parmesão e bottarga no caramelo do flan de leite. Em outro prato, codorna com chocolate e cebolas provoca o legado de Auguste Escoffier, que no século XIX defendia que cozinhas profissionais não eram lugar para mulheres.
Além do Nelita, a chef divide a rotina com o marido e sócio Danyel Steinle no Mag Market — doceria e padaria conhecida pelo bolo de chocolate — e no bar de vinhos Lita, localizado em frente ao restaurante principal. Enquanto ela cuida da criação gastronômica, ele responde pelas finanças e pelo salão.
Para o futuro, Tássia prefere investir na formação de suas cozinheiras a abrir novos negócios. “Vemos mais mulheres crescendo nas cozinhas, mas ainda é raro encontrá-las no topo, gerindo e sendo aplaudidas. O Nelita existe para mudar isso”, afirma.
Imagem: Fresia Delgadillo
A chef também tem viajado para eventos em países da América Latina, Estados Unidos, Espanha, Grécia e Turquia, mas mantém gosto por receitas simples: “Meu prato preferido é macarrão com atum feito pelo meu marido. Seria minha última refeição”.
No universo paulistano, ela elogia a Bottega Bernacca e a Tappo Trattoria, mas sustenta a opinião polêmica: “A gastronomia de São Paulo é uma das melhores do mundo, e a italiana aqui supera a da Itália”, repetiu, reforçando o orgulho da cena local.
O reconhecimento do World’s 50 Best Restaurants corrobora essa visão; a lista completa pode ser consultada no site oficial da premiação World’s 50 Best Restaurants, referência global em avaliação culinária.
Ao lado de lideranças como a chef Júlia Donnard, a confeiteira Juliana Coladela e a sous-chef Nathália Schiavon, Tássia planeja manter a cozinha do Nelita como espaço de excelência e equidade. “Queremos resgatar nossa culinária e seguir evoluindo”, conclui.
Resumo: Tássia Magalhães reafirma o protagonismo da gastronomia italiana em São Paulo, celebra a força feminina no Nelita e projeta um futuro de formação para novas chefs. Conheça também nosso conteúdo sobre Beleza e Estilo e siga acompanhando nossas coberturas de cultura e gastronomia.
Crédito da imagem: Divulgação/Estúdio Mió


