Trabalhadoras sexuais ganham homenagem da Porto da Pedra

Trabalhadoras sexuais estarão no centro da Avenida neste sábado (10), quando a Unidos do Porto da Pedra levará ao Carnaval do Rio o enredo “Das mais antigas da vida, o doce e amargo beijo da noite”. A escola de São Gonçalo, que desfila na Série Ouro, propõe dar visibilidade à história, à cultura e às lutas dessas mulheres, reivindicando respeito profissional e direitos civis.

Lourdes Barreto, 83 anos, será uma das homenageadas. Militante histórica pelos direitos das prostitutas, ela fundou, ao lado de Gabriela Leite, a primeira organização da categoria na América Latina, integrou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e, em 2024, figurou na lista das 100 mulheres mais influentes do mundo da BBC.

Trabalhadoras sexuais ganham homenagem da Porto da Pedra

A ativista rejeita a condição de vítima. “Desde que cheguei à zona, tomei minha autonomia e nunca mais fui vítima de nada”, declarou em entrevista à revista Marie Claire. Barreto lembra que o convite partiu do carnavalesco Mauro Quintaes, que enxergou no tema um desafio para a própria comunidade escolar. “Não é apologia, é pedir respeito”, reforça.

O desfile trará referências à trajetória de profissionais do sexo no país, destacando sua presença em momentos-chave, como a promulgação da Constituição de 1988 e a campanha de combate à AIDS. Para Barreto, a Sapucaí representa um palco estratégico: “As putas estão em todos os espaços da sociedade; queremos mostrar que a vagina tem poder”.

Além do reconhecimento, o enredo dialoga com pautas ainda pendentes, como melhores condições de trabalho e o combate ao estigma. “Ainda morremos por conta do preconceito”, alerta a ativista, ressaltando que o Carnaval, com sua exposição de corpos, serve para naturalizar a nudez sem carregar a “maldade social” que costuma cercá-la.

Barreto também relembrou campanhas de prevenção de ISTs, enfatizando que as profissionais do sexo foram pioneiras no uso do preservativo feminino. “Se estivermos com saúde, teremos mais condições de trabalho”, observou.

A força simbólica da homenagem não se limita à passarela do samba. Em nível internacional, a escolha da Porto da Pedra repercute como parte de um movimento mais amplo de reconhecimento dos direitos de trabalhadoras sexuais, tema abordado recentemente pela própria BBC em reportagens especiais.

Com humor irreverente, Barreto assume ter “gozado muito na vida” e afirma estar agora em fase mais tranquila. Ainda assim, mantém o compromisso de “ir com animação, tesão e prazer” para a Avenida, onde desfilará à frente da escola em um carro alegórico que estampará a palavra que ela carrega tatuada: puta.

No encerramento, a ativista projeta o legado da luta: “Quando entrarmos, todo mundo vai parecer puta. Esse enredo exige coragem para sonhar com um mundo sem estigmas”.

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Crédito da imagem: Foto: Divulgação

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