Trombose por anticoncepcional mudou a vida da então estudante de psicologia Thalita Mara dos Santos, de 23 anos, em menos de um mês de uso da pílula combinada de estrogênio e progesterona. Ela acordou com falta de ar, a perna esquerda inchada, roxa e sem sensibilidade, sinal de que um coágulo avançava pelo corpo.
Internada às pressas em Uberlândia (MG), a jovem recebeu o diagnóstico de trombose venosa profunda — que ia da coxa à pelve — associada a embolia pulmonar. A médica só confirmou a gravidade após exames de imagem, e Thalita sobreviveu por pouco, como relembra: “Quase morri”.
Trombose por anticoncepcional: jovem de 23 anos relata drama
O episódio expôs dois fatores até então desconhecidos: trombofilia por mutação do fator V de Leiden e síndrome de Cockett (May-Thurner), alteração anatômica que comprime a veia ilíaca e dificulta o retorno venoso da perna esquerda. Sem saber da predisposição, a paciente usou o anticoncepcional indicado para tratar rosácea. Sete dias depois, surgiram cefaleia e falta de ar; em três semanas, veio o quadro grave.
Segundo a cirurgiã vascular Túlia Brasil, membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, os anticoncepcionais hormonais aceleram a coagulação, mas a trombose é “cumulativa”: quanto mais fatores de risco — histórico familiar, doenças inflamatórias, obesidade, sedentarismo ou medicamentos contínuos — maior a probabilidade de formação de coágulos.
A profissional reforça que a prescrição deve incluir anamnese detalhada. “Se a paciente tem fatores de risco, o método hormonal combinado deve ser evitado. Isoladamente, o risco é baixo, mas nunca zerado”, afirma.
Sinais, diagnóstico e sequelas
Dor súbita, inchaço em apenas uma perna, pele avermelhada ou endurecida e hematomas atípicos exigem avaliação médica imediata. O ultrassom vascular com Doppler costuma confirmar o trombo e direcionar o início rápido do tratamento com anticoagulantes.
Mesmo após a alta, Thalita passou um mês em cadeira de rodas. Não teve sequelas pulmonares, mas a perna esquerda permanece mais volumosa, fria, escurecida e com circulação colateral aparente. Hoje, aos 37 anos, usa anticoagulante diário, ácido acetilsalicílico e meias de compressão para conter novos eventos.
Impacto emocional e mudança de rotina
O susto provocou transtorno de estresse pós-traumático: “Tinha medo de dormir e não acordar”, conta. A condição influenciou ainda a decisão de não engravidar, pois a gestação aumentaria o risco trombótico. Para ajudar outras mulheres, ela coordena grupos de apoio e lançou uma marca de meias compressivas com design diferenciado, fugindo do bege hospitalar.
Imagem: pessoal
Quando investigar trombofilia
Histórico familiar, trombose em idade jovem ou sintomas fora do padrão justificam a pesquisa de trombofilias hereditárias ou adquiridas. Em casos positivos, métodos contraceptivos mais seguros incluem pílulas só de progesterona, DIU hormonal, DIU de cobre ou preservativo.
Thalita sublinha a importância do alerta para pessoas jovens: “A ideia de que trombose é coisa de idoso ainda é comum. Eu tinha 23 anos”. Ela cobra atenção de profissionais de saúde na triagem de pacientes antes de prescrever hormônios.
Prevenção: pontos-chave
• Avaliação clínica completa antes de iniciar anticoncepcional hormonal.
• Investigação de histórico familiar de trombose ou trombofilia.
• Estilo de vida ativo, controle de peso e abandono do tabaco.
• Uso de meias de compressão em situações de voo longo ou imobilidade.
• Procura imediata de atendimento ao notar sintomas incomuns em uma perna.
Para quem já apresenta fatores de risco, alternativas não hormonais devem ser consideradas em conjunto com o médico, a fim de evitar episódios como o de Thalita.
No fim das contas, informar-se e dialogar com especialistas pode salvar vidas — ainda mais quando o assunto é trombose por anticoncepcional.
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Crédito: Arquivo pessoal


