Violência contra a mulher permanece no centro do debate público brasileiro, e a jornalista Ana Paula Araújo reforça que o maior avanço recente é justamente poder falar do assunto.
Autora dos livros “Abuso: A cultura do estupro no Brasil” (2020) e “Agressão: A escalada da violência doméstica no Brasil” (2025), ambos pela Globo Livros, Araújo afirma que, há três décadas e meia, crimes domésticos quase não eram noticiados. Hoje, porém, a discussão ganhou espaço e impulsionou conquistas como a Lei Maria da Penha.
Violência contra a mulher: Ana Paula Araújo avalia avanços
Em entrevista concedida à revista Marie Claire, a apresentadora do “Bom Dia Brasil” recorda que, quando adolescente, já percebia a importância de independência financeira para evitar relações abusivas. “Há 35 anos nem sequer falávamos sobre isso; ficava tudo dentro de casa”, relembra.
Segundo a jornalista, a possibilidade de denunciar e nomear as agressões mudou o cenário. A Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, representa marco dessa virada ao tipificar diversos tipos de violência doméstica e garantir medidas protetivas. No entanto, Araújo pondera que a escalada de crimes cada vez mais cruéis exige respostas mais rápidas do sistema de Justiça.
Apesar dos desafios, ela enxerga progresso no empoderamento feminino. “As mulheres começaram a entender que não precisam de um relacionamento para ter valor”, diz. Essa percepção, para Araújo, sustenta a luta contínua por segurança e igualdade.
Relatórios de órgãos internacionais, como ONU Mulheres, corroboram a análise: a exposição de casos de feminicídio e agressões aumentou o registro de denúncias, mas também evidenciou a persistência da impunidade.
No mês em que a edição brasileira da Marie Claire completa 35 anos, a publicação destaca que, embora as mulheres tenham conquistado voz e espaço, nenhum direito está plenamente garantido. Gerações, raças e condições socioeconômicas diferentes sentem de maneiras distintas os avanços e as promessas ainda não cumpridas.
Imagem: Divulgação
Para Ana Paula Araújo, o próximo passo é fortalecer políticas públicas de prevenção, ampliar a rede de acolhimento e incentivar a educação de meninos e meninas para relações baseadas em respeito. “Que nos próximos anos continuemos nessa luta e melhoremos a segurança e a justiça para todas”, conclui.
Resumo: mesmo diante de crimes mais violentos, a visibilidade do tema amplia a conscientização social e institui caminhos de proteção às vítimas. O desafio, frisa a jornalista, é transformar consciência em resultados concretos.
Quer saber mais sobre temas relacionados ao bem-estar feminino? Visite nosso portal e continue acompanhando nossas publicações.
Foto: Divulgação


