Transição de gênero aos 33 resume o ponto de virada na vida da professora Elis Batista, que assumiu publicamente sua identidade como mulher trans depois de anos escondendo o desconforto com o próprio corpo.
Desde a infância, Elis sentia vontade de usar roupas femininas e maquiagem, mas o medo do julgamento familiar e social a impediu de se expressar. Aos 32, ao pesquisar sobre o tema e assistir a relatos de outras pessoas trans, ela compreendeu que a disforia de gênero não era passageira.
Transição de gênero aos 33: apoio da namorada emociona
A decisão de iniciar a terapia hormonal em dezembro de 2024 trouxe alívio, mas também o receio de perder o relacionamento de 11 anos com Rafaella. Ao revelar a transição, Elis recebeu a resposta que mudou tudo: “Eu te amo do jeito que você é”, disse a namorada, que quis apenas confirmar se o amor entre elas permanecia. O casal passou a se identificar como duas mulheres, formando hoje um relacionamento lésbico.
No âmbito familiar, a aceitação foi mais lenta. A mãe de Elis precisou de tempo para digerir a notícia e alguns irmãos ainda se mantêm distantes. No trabalho, a professora temeu o retorno às salas de aula, mas foi recepcionada com saudações de “Seja bem-vinda, professora Elis!” por colegas e alunos, fator decisivo para sua recuperação emocional.
Mesmo após conquistas pessoais, o preconceito persiste em espaços públicos: atendentes trocam pronomes, motoristas de aplicativo demonstram desconforto e estranhos questionam a legitimidade do casal. “Penso: será que ser feliz custa tão caro?”, reflete Elis.
Segundo levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), pessoas trans enfrentam taxas mais altas de violência e discriminação no Brasil, realidade que reforça a importância de histórias de apoio como a de Elis e Rafaella.
Rafaella ajudou a parceira a comprar as primeiras peças femininas e passou a dar aulas de maquiagem. Para Elis, o sexo também ganhou novos significados após a terapia hormonal, resultado de maior autoestima e conexão corporal. O casal planeja oficializar a união “de papel passado” com ambas usando vestido de noiva.
Imagem: pessoal
A história inspira outras pessoas a não desistirem da própria identidade. “O amor supera gênero, sexualidade, qualquer barreira. É presença”, resume Elis, que hoje encara o futuro com planos de expandir a família — ainda que, por enquanto, sejam apenas “mães de pets”.
Para quem vive situação similar, Elis indica procurar suporte psicológico, informação confiável e redes de apoio. “Nunca é tarde para se encontrar”, conclui.
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Crédito: Arquivo pessoal


