Ansiedade atinge 4 em 10 médicas brasileiras, mostra estudo. A pesquisa nacional com 2.005 profissionais de Medicina indica que 39% das mulheres têm diagnóstico de ansiedade e 25% relatam depressão, índices superiores aos dos colegas homens.
Os dados, coletados em 2024 pela Afya Educação Médica e publicados em janeiro no periódico PLOS ONE, ainda revelam estresse médio de 65 pontos entre elas, contra 59 entre eles, numa escala de 0 a 100.
Ansiedade atinge 4 em 10 médicas brasileiras, mostra estudo
Segundo os autores, o custo mental desproporcional se relaciona a fatores estruturais, como dupla jornada, desigualdade salarial e maior exigência de trabalho emocional. Mesmo quando a carga horária formal é igual, as médicas acumulam responsabilidades domésticas e familiares, o que amplia a pressão psicológica.
A estatística Renata de Almeida Pedro, coautora do levantamento, explica que “com a mesma carga de trabalho formal, a responsabilidade feminina tende a ser maior”, reforçando o impacto na saúde mental. A piora é mais intensa entre profissionais que trabalham mais de 60 horas semanais.
O estudo também destaca a fase inicial da carreira como a mais crítica. Médicos formados após 2015 registram 57 pontos de estresse, ante 41 daqueles graduados antes de 2008. O médico Eduardo Moura, diretor do Research Center da Afya, atribui o quadro à falta de experiência para lidar com ambientes hostis e à ocupação de plantões desafiadores.
Outro ponto relevante é a remuneração. O bem-estar melhora até a faixa de cerca de R$ 25 mil mensais e, a partir daí, estagna. Para os pesquisadores, jornadas exaustivas se mostram mais determinantes para a saúde mental do que a renda, refletindo tendência observada globalmente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alerta para os impactos do excesso de trabalho na saúde emocional dos profissionais da área neste relatório.
Mudanças recentes na legislação trabalhista também afetam o cenário. A migração do regime CLT para vínculos como pessoa jurídica reduziu o acesso a benefícios, como licença-maternidade, impactando especialmente as mulheres e agravando a sobrecarga.
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Para além da Medicina, os autores destacam que a desigualdade de gênero no trabalho, a expectativa social de múltiplos papéis e a sobrecarga doméstica são fatores que se repetem em outras carreiras de alta qualificação. O esgotamento, entretanto, reflete diretamente na prática clínica: parte dos médicos admite erros motivados por cansaço físico e, sobretudo, emocional.
Compreender esses gatilhos, segundo especialistas, é fundamental para formular políticas de apoio, programas de prevenção e ambientes de trabalho mais saudáveis, reduzindo o risco de afastamentos e garantindo melhor qualidade de atendimento aos pacientes.
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