Helena Rizzo revela plano de viver no campo até o fim

Helena Rizzo, chef consagrada pelo restaurante Maní, afirma que encontrou no sítio em Piracaia (SP) a rotina que deseja manter “até envelhecer e morrer”, conciliando vida rural com a liderança de um dos poucos estabelecimentos brasileiros estrelados pelo Guia Michelin.

Aos 47 anos, a gaúcha relata que a maternidade, a participação no MasterChef e a convivência com a Mata Atlântica redefiniram suas prioridades profissionais e pessoais. Hoje, divide a criação do Maní com o belga Willem Vandeven e dedica os dias de folga ao cultivo de mandioca, milho crioulo e physalis em sua propriedade.

Helena Rizzo revela plano de viver no campo até o fim

Fundado em 2006 com a apresentadora Fernanda Lima, o Maní completa 20 anos em 2026. Nesse período, passou de proposta vegetariana a vitrine de sabores brasileiros, como o tambaqui moqueado com beiju e banana-da-terra. “Fomos nos abrasileirando”, resume Rizzo.

O reconhecimento internacional veio em 2013, quando o Maní entrou na lista The World’s 50 Best Restaurants. No ano seguinte, a cozinheira recebeu o prêmio de Melhor Chef Mulher do Mundo, reforçando o debate sobre o machismo estrutural na gastronomia. No programa MasterChef, por exemplo, ela reagiu a um elogio considerado sexista feito pelo colega Alex Atala, exigindo respeito à competência feminina.

Influência do sítio na cozinha e na vida

No interior, Rizzo afirma se reconectar “de forma mais sensorial” com o alimento. Ingredientes plantados ali chegam ao novo cardápio do Maní, caso da physalis que perfuma a salsa latina servida com peixe na brasa e cuscuz de uarini. “O restaurante me levou ao sítio, e o sítio devolveu sabores ao restaurante”, diz.

O convívio diário com os ciclos das plantas também ensinou a chef a delegar mais a equipe. Segundo ela, a pressão por rankings e estrelas ainda existe, mas precisa ser repensada. “Precisamos nos rever como sociedade”, enfatiza.

Trajetória antes do estrelato

Antes de abrir o próprio negócio, Helena Rizzo passou por casas como Gero, Roanne e El Celler de Can Roca, onde conheceu o ex-companheiro Daniel Redondo (falecido em 2023). O aprendizado na Itália e na Espanha moldou a técnica que hoje se alia a referências indígenas e regionais brasileiras.

De modelo em Porto Alegre a chef premiada, a gaúcha reconhece o privilégio de ter podido estagiar sem remuneração, mas critica jornadas abusivas comuns no setor. Para futuras gerações, defende cozinhas mais equilibradas, com espaço para talentos femininos prosperarem sem abrir mão da qualidade de vida.

Planos para as próximas décadas

Quando projeta o futuro, Rizzo se imagina aos 70 anos “pintando, cozinhando, ouvindo música e recebendo amigos” no terreno cercado por mata nativa. A trilha sonora virá do marido, o músico Bruno Kayapy, e o menu, de legumes colhidos no quintal.

Ela conclui que a experiência no campo ensinou paciência: “É preciso esperar o tempo das coisas”. Entre reformas no Maní — agora decorado com referências modernistas de Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade — e a gravação de nova temporada do reality culinário, a chef equilibra os mundos rural e urbano com a mesma determinação que a levou ao topo da gastronomia.

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Foto: Victor Affaro

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