Transplante de fígado infantil: mãe acha doador online

Transplante de fígado infantil foi a solução de emergência para salvar a vida de Ravi, bebê de Belo Horizonte que, aos 11 meses, recebeu parte do órgão de um desconhecido recrutado pelas redes sociais. O caso, contado pela mãe, Camila Fantini, mostra como a internet encurtou distâncias e mobilizou voluntários em três estados.

Diagnosticado com atresia de vias biliares logo após o nascimento, Ravi não respondeu à cirurgia inicial e entrou na fila oficial de transplantes. Sem compatibilidade familiar, a mãe recorreu ao Facebook para buscar um voluntário disposto a doar parte do fígado — órgão que se regenera poucos meses após a intervenção.

Transplante de fígado infantil: mãe acha doador online

O apelo viralizou depois que um amigo da família em Londres compartilhou a publicação. O post alcançou Luiz Fernando, morador de São João del-Rei (MG), que se ofereceu de imediato. Ele arcou com as próprias despesas para realizar a bateria de exames e, em São Paulo, passou por avaliação médica e audiência judicial obrigatórias antes da operação.

Do Facebook à sala de cirurgia

Apesar da disposição do voluntário, a legislação exige que o receptor permaneça na lista pública até surgir um órgão inteiro ou autorização específica. A espera aumentou a tensão: Camila tinha de ir e voltar de Minas a São Paulo para consultas, muitas vezes hospedada em casas de apoio. Nesse período, uma desconhecida chamada Simonetta ofereceu moradia gratuita na capital paulista, gesto que fortaleceu a rede solidária ao redor do menino.

Com o agravamento do quadro clínico, a equipe do Hospital decidiu antecipar o procedimento. A cirurgia dupla — retirada do segmento hepático de Luiz Fernando e implantação em Ravi — durou cerca de 20 horas. O doador ficou alguns dias na UTI; o bebê, induzido a coma, superou o risco de rejeição e recebeu alta semanas depois.

De desconhecidos a família escolhida

Dez anos se passaram e Ravi leva uma rotina típica de criança, praticando futebol e frequentando a escola, mas sob acompanhamento vitalício e uso de imunossupressores. A relação com Luiz Fernando se transformou em laço fraterno: eles conversam diariamente e se visitam com frequência. “Ganhei a vida do meu filho e um novo irmão”, resume Camila.

O exemplo de altruísmo motivou a criação da Rede de Acolhimento e Vida Integrada (RAVI), iniciativa que humanizou alas pediátricas do Hospital das Clínicas de Belo Horizonte com recursos de R$ 100 mil obtidos por emenda parlamentar. A proposta é oferecer ambientes lúdicos e apoio emocional a famílias de pacientes que aguardam transplantes, seguindo diretrizes de humanização recomendadas pelo Ministério da Saúde.

Ainda que raros, casos como o de Ravi reforçam a importância da doação intervivos: segundo dados oficiais, o fígado é o segundo órgão mais transplantado no Brasil, e parte dos procedimentos pediátricos depende de segmentos doados por adultos saudáveis.

Para Camila, a jornada provou que empatia pode atravessar fronteiras e desafiar ceticismos. “Muitos duvidaram que eu encontraria um doador pela internet. Hoje, meu filho está vivo graças a quem acreditou”, conclui.

Quer saber mais histórias inspiradoras e dicas de cuidado pessoal? Visite nosso portal e continue acompanhando conteúdos da editoria Saúde e Beleza.

Crédito da imagem: Arquivo pessoal

Quando você efetua suas compras por meio dos links disponíveis em nosso site podemos receber uma comissão de afiliado, sem que isso acarrete nenhum custo adicional para você.
Rolar para cima