Geosexual: o termo ganhou força depois que a cantora norte-americana Kesha revelou, em entrevista ao podcast “Call Her Daddy”, que está em celibato — “exceto quando estou na Itália”.
A afirmação reacendeu o debate sobre como determinados destinos podem influenciar o desejo sexual e colocou a expressão “geosexual” nos trending topics das redes.
Geosexual: Kesha diz que só faz sexo na Itália
Segundo o portal LGBTQIA+ Them, “geosexual” descreve quem sente mais tesão, ou só se interessa por relações sexuais, em localidades específicas. A própria Kesha não detalhou se a atração vem do charme dos italianos ou do clima romântico do país; limitou-se a declarar seu amor por massas, pelo bem-estar que sente com o próprio corpo na região e pelo cenário local.
Os dados dão respaldo à percepção. Levantamento do app de relacionamentos Bumble, realizado em junho de 2023 com 5.610 entrevistados, apontou que 53% gostariam de se envolver com alguém durante viagens. Já o aplicativo Feeld, popular entre pessoas não monogâmicas e LGBTQIA+, mostrou que metade das conexões acontece fora da cidade de residência dos usuários.
Especialistas associam o fenômeno a três fatores principais: interrupção da rotina, estímulos dopaminérgicos e anonimato. “Mudanças no cotidiano, como as férias, relaxam, reduzem o estresse e favorecem o aflorar do desejo”, explicou à revista Marie Claire a ginecologista Thais França, pós-graduada em sexualidade.
Neurocientistas descrevem que novos cenários, aromas e sabores ativam o sistema de recompensa do cérebro, intensificando dopamina e, consequentemente, a autoconfiança. Essa sensação de novidade também diminui inibições: fora do ambiente habitual, as pessoas se sentem mais seguras para explorar fantasias, já que a chance de reencontro com conhecidos é mínima.
Apesar de ter ganhado um significado pop, “geosexual” possui outras acepções. No Urban Dictionary, refere-se a quem prefere transar ao ar livre, enquanto na saúde pública o termo aparece em estudos que analisam como a localização influencia comportamentos sexuais e a transmissão de ISTs, sobretudo entre homens que fazem sexo com homens.
Aplicativos de paquera incorporaram o espírito viajante: quase todos possuem “Modo Viagem”, recurso que permite ajustar a localização para combinar encontros antes mesmo do embarque. A funcionalidade antecipa a logística e potencializa a chance de um affair, reforçando a impressão de que o desejo floresce junto com a passagem de avião.
Nem sempre, porém, a liberdade vem apenas do destino. Países e até estados com políticas mais abertas sobre sexualidade podem criar ambientes considerados “mais seguros” por turistas, encorajando experiências que seriam evitadas em casa. É nesse contexto que muitas pessoas, como Kesha, se permitem “quebrar” um celibato ou explorar desejos guardados.
Imagem: Instagram
Do ponto de vista cultural, a própria Itália carrega um estereótipo romântico: arquitetura histórica, culinária afetiva e paisagens inspiradoras. Esses elementos reforçam a ideia de fuga do cotidiano e colaboram para o clima propício a encontros casuais.
Enquanto o dicionário de rótulos sexuais se expande, especialistas lembram que o importante é praticar sexo consensual, seguro e alinhado aos desejos de todas as partes, independentemente de coordenadas geográficas.
Para quem planeja testar a teoria “geosexual”, vale seguir recomendações básicas: informar amigos sobre o paradeiro, usar preservativo e adotar apps de confiança. O prazer pode ser global, mas a responsabilidade também deve viajar junto.
Em síntese, a confissão de Kesha trouxe visibilidade a um comportamento comum: a libido muitas vezes faz as malas junto com o turista, transformando férias em oportunidades de autodescoberta e encontros memoráveis.
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