Dor do DIU: o que reduz e o que não funciona

Dor do DIU: o que reduz e o que não funciona abre o debate sobre a intensidade do desconforto na inserção do dispositivo intrauterino e as estratégias que, comprovadamente, podem amenizar a experiência.

Um levantamento da Unicamp apontou que 81% das mulheres sentem dor moderada a severa ao colocar o DIU, índice quinze vezes maior que o estimado pelo Ministério da Saúde. A repercussão nas redes somou 7.500 comentários, com relatos que variaram de “pior dor da vida” a “totalmente tolerável”.

Dor do DIU: o que reduz e o que não funciona

Para entender a dor, é preciso acompanhar o trajeto do dispositivo, em formato de T de 3 cm, até o útero. O insertor percorre o canal do colo, passagem estreita e curva. O procedimento envolve três etapas dolorosas: fixação do colo com a pinça pozzi, medição da cavidade uterina com o histerômetro e, por fim, a inserção do DIU, momento em que as contrações geram cólicas intensas.

Etapas que mais doem

A ginecologista Cássia Juliato, coautora do estudo, resume: “São três dores; as mais fortes são a medição e a inserção”. Conhecer esse passo a passo reduz a ansiedade e, consequentemente, a percepção de dor, segundo a literatura médica.

Influência do tipo de insertor

O estudo revelou outra variável: o diâmetro do insertor. O Mirena doado ao SUS usa tubo de 4,8 mm e técnica com duas mãos, mais lenta. A versão vendida em consultórios emprega tubo de 4,4 mm, manuseado com uma só mão e potencialmente menos traumático. A Bayer anunciou que passará a fornecer apenas o modelo padrão, mudança que tende a melhorar a experiência em serviços públicos.

O que a ciência recomenda

Em 2024, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos incluíram, pela primeira vez, orientações sobre manejo da dor na inserção do DIU. Entre os estudos que embasaram a decisão está uma pesquisa brasileira que testou o bloqueio intracervical com lidocaína em mulheres sem parto vaginal: a proporção de dor severa caiu de 50,5% para 26,5%.

Anestesia local, sedação e analgésicos orais

O bloqueio com lidocaína reduz, mas não elimina totalmente o desconforto. A sedação em centro cirúrgico zera a dor, porém eleva custos e o risco de perfuração uterina, pois o órgão relaxa demais. Já analgésicos orais, como anti-inflamatórios, mostram benefício limitado à cólica pós-procedimento.

Medidas simples que ajudam

Aplicar bolsa de água quente no abdômen, receber orientação prévia detalhada e ter um acompanhante presente são práticas que, segundo estudos, diminuem a dor percebida. Pacientes com endometriose, cólicas fortes ou sem histórico de parto vaginal tendem a sentir mais, assim como mulheres ansiosas.

Profissional experiente faz diferença

Quanto mais treinado o especialista, mais rápida e menos traumática é a passagem do insertor. Técnicas delicadas, como evitar tração excessiva do colo, também contribuem para uma experiência menos dolorosa.

Em síntese, conhecer o procedimento, avaliar opções de anestesia local e contar com acolhimento qualificado são as melhores formas de enfrentar a dor do DIU hoje. Estratégias como analgésicos orais isolados ou anestésicos tópicos mostram eficácia limitada no momento crítico da inserção.

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Crédito da imagem: Getty Images

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