Marjorie Estiano Ângela Diniz é a combinação que conduz a minissérie “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada”, lançada na HBO Max na última quinta-feira (13). Ao dar vida à socialite mineira morta a tiros em 1976, a atriz afirma ter reconhecido “o patriarcado em si mesma” e o peso do feminismo na defesa dos direitos das mulheres.
Quase cinquenta anos separam o feminicídio de Ângela Diniz do Brasil de 2025. Mesmo com avanços legais, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, o país ainda figura entre os que mais matam mulheres no mundo. Essa discrepância norteou o mergulho de Estiano na personagem e na própria história recente.
Marjorie Estiano revive Ângela Diniz em série da HBO Max
Antes do convite para o projeto, Marjorie pouco conhecia o caso que mobilizou o movimento “Quem Ama Não Mata”. O processo de construção da personagem incluiu pesquisa sobre o julgamento de Doca Street, que inicialmente saiu absolvido em 1979 sob a controversa tese de “legítima defesa da honra”, revertida em 1981 após pressão de coletivos feministas.
A atriz buscou referências no premiado podcast “Praia dos Ossos”, de Branca Vianna e Flora Thomson-Deveaux, e no pensamento de autoras como Simone de Beauvoir, Lélia Gonzalez e Djamila Ribeiro. “Só com estudo e autocrítica dá para perceber como o patriarcado se infiltra até nas relações mais íntimas”, declarou em entrevista.
Para compor a postura livre e contestadora de Ângela, Marjorie também se inspirou em ícones como Leila Diniz e Sônia Braga, além de resgatar memórias da própria mãe, vista como figura transgressora nos anos 1970. Esse recorte ajudou a retratar a socialite para além do rótulo de vítima, evidenciando traços de maternidade, sexualidade e até contradições, como atitudes racistas relatadas por contemporâneos.
Dirigida por Andrucha Waddington, a produção de seis episódios conta ainda com Emílio Dantas, Camila Márdila, Thiago Lacerda, Renata Gaspar e Antônio Fagundes. Os capítulos chegam semanalmente ao catálogo do streaming.
Ao relacionar passado e presente, a série pretende estimular debate sobre violência de gênero num contexto de retrocessos e discursos conservadores entre jovens. Dados do ONU Mulheres reforçam que a cada sete horas uma brasileira é vítima de feminicídio, tornando contemporânea a história que chocou o país em 1976.
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Para Marjorie, revisitar o crime da Praia dos Ossos é convite à vigília constante. “As conquistas são recentes e podem regredir; precisamos defender direitos todos os dias”, afirmou, lembrando que legislações podem variar conforme governos.
A reflexão sobre patriarcado, abuso e resistência se estende à audiência. Ao assistir à produção, o público é levado a questionar padrões ainda normalizados, prática que a atriz diz ter aplicado a si mesma durante as gravações.
No desfecho, Estiano espera que a obra inspire novas gerações a ampliar a luta por liberdade, proteção e educação: “Quero que seja motivação para conquistar mais direitos”.
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