Extensões de cabelo são populares para mudar o visual, mas um novo estudo do Silent Spring Institute revela que boa parte desses produtos carrega substâncias associadas a câncer e outros problemas de saúde.
A pesquisa, publicada em 12 de fevereiro de 2026 na revista Environment & Health, avaliou 43 tipos de extensões vendidos on-line e em lojas especializadas. O trabalho identificou 169 compostos químicos, muitos já relacionados a alterações hormonais, irritação cutânea e efeitos no sistema imunológico.
Extensões de cabelo podem conter químicos ligados ao câncer
Segundo a cientista Elissia Franklin, responsável pelo estudo, foram analisadas extensões sintéticas derivadas de plástico e versões consideradas biológicas, como cabelo humano, fibras de banana e seda. Entre os itens sintéticos, vários eram rotulados como “resistentes ao fogo”, “ao calor” ou “à água”, sem especificar os ingredientes usados para atingir essas características.
A equipe aplicou uma técnica de análise não direcionada capaz de rastrear centenas de compostos, inclusive aqueles que raramente entram em testes tradicionais. O resultado foi a detecção de mais de 900 sinais químicos, agrupados em nove classes principais — entre elas retardantes de chama, plastificantes e conservantes.
Muitos desses aditivos já foram vinculados, em estudos anteriores, a tumores, problemas de desenvolvimento e desregulação endócrina. A exposição ocorre porque as extensões ficam em contato direto com couro cabeludo, pescoço e rosto por longos períodos. O risco aumenta com o uso de secador ou chapinha, que podem liberar vapores tóxicos.
Os dados preocupam especialmente porque mais de 70% das mulheres negras relataram usar extensões no último ano, índice bem superior ao de outros grupos raciais. Para os autores, isso indica uma exposição potencialmente maior a químicos nocivos ao longo da vida.
Entre as amostras testadas, apenas as rotuladas como “não tóxicas” — geralmente feitas de cabelo humano, fibra de banana ou seda, sem tratamentos químicos adicionais — não apresentaram substâncias preocupantes. Esses materiais, segundo o artigo, são hoje as opções mais seguras no mercado.
Franklin recomenda que consumidores verifiquem rótulos e busquem produtos certificados livres de retardantes de chama e plastificantes, além de limitar o tempo de uso das extensões e reduzir a aplicação de calor. “Transparência dos fabricantes é essencial para decisões informadas”, afirmou a pesquisadora em nota reproduzida no site do Silent Spring Institute.
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Especialistas também sugerem adotar pausas entre aplicações e priorizar métodos de alongamento que minimizem o contato direto da cola ou do fio sintético com o couro cabeludo.
Em países com regulamentação mais rígida, alguns desses aditivos já são controlados. No entanto, no Brasil e em grande parte do mundo, extensões capilares permanecem fora de normas específicas, o que reforça a importância da leitura atenta dos rótulos pelos consumidores.
Enquanto regulações não avançam, a escolha por materiais naturais e certificados aparece como a principal via para reduzir riscos de longo prazo.
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