Câncer de colo do útero voltou a ocupar as manchetes ao registrar 7,5 mil óbitos no Brasil em 2024, número mais alto desde o início da série histórica do DATASUS em 2000.
O levantamento do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), compilado pelo Observatório da Saúde Pública da Umane, confirma a escalada: foram 3,9 mil mortes no ano 2000, 7,2 mil em 2023 e um salto de 13,4% nos últimos dois anos.
Câncer de colo do útero bate recorde de mortes em 2024
Especialistas atribuem o avanço a falhas no acesso às principais ferramentas de prevenção: a vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) e o rastreamento periódico por Papanicolau ou DNA-HPV. Embora a Organização Mundial da Saúde recomende 90% de cobertura vacinal, a taxa brasileira permanece em torno de 80% entre jovens de 9 a 14 anos.
Os dados revelam, ainda, marcante desigualdade social. Em 2024, 32,6% das vítimas tinham 65 anos ou mais; 48,3% eram pardas e 52,3% possuíam até sete anos de estudo. Segundo o inquérito telefônico Vigitel 2024, 12,5% das brasileiras de 25 a 64 anos nunca fizeram o Papanicolau, exame capaz de detectar lesões antes que evoluam para tumor invasivo.
Para Fabiana Peroni, diretora de projetos do Grupo Mulheres do Brasil, transformar o rastreamento em política ativa é crucial. Ela defende convocação nominal de mulheres com exame atrasado, horários ampliados, oferta em unidades próximas às residências e acolhimento que minimize vergonha ou medo.
Outra barreira apontada por Peroni é a comunicação: muitas mulheres dizem não considerar o teste necessário ou relatam nunca ter recebido orientação. Investir em linguagem clara e fortalecer a atuação de agentes comunitários de saúde são passos vistos como determinantes para ampliar a cobertura.
Imagem: Carlos Morocho para Pexels
Na prática, a conjugação de baixa cobertura vacinal, informação insuficiente e dificuldade de acesso explica por que um câncer quase inteiramente prevenível ainda figura entre as principais causas de morte feminina no país. “Parte da população não recebe a vacina no momento certo, e muitas mulheres não fazem o exame com a frequência recomendada”, resume a especialista.
O Ministério da Saúde reforça que a vacina está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Detalhes sobre calendário e postos podem ser consultados no portal oficial da pasta, que também orienta sobre a periodicidade dos exames.
Resumo: o recorde de mortes por câncer de colo do útero expõe lacunas na prevenção e indica urgência em ampliar vacinação e rastreamento. Para saber como manter a saúde em dia, confira nosso conteúdo em Beleza e siga acompanhando nossas atualizações.
Crédito da imagem: Getty Images


