Marjorie Estiano denuncia feminicídio em série Ângela Diniz e defende que a arte seja usada como ferramenta de enfrentamento ao patriarcado. A atriz protagoniza a produção “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada”, da HBO/Conspiração Filmes, que estreia em 2025 e resgata um dos crimes mais emblemáticos do país.
Para Estiano, revisitar o assassinato ocorrido em 1976 na Praia dos Ossos, em Búzios, é um ato político que expõe a permanência da violência contra mulheres. “Hoje não existe meio-termo: ou você é agente da violência ou luta contra ela”, afirma a artista, indicada ao Emmy por “Sob Pressão”.
Marjorie Estiano denuncia feminicídio em série Ângela Diniz
A minissérie de seis capítulos reconstrói o relacionamento turbulento entre Ângela e seu então namorado, Raul Fernando do Amaral Street, o Doca Street. Ele alegou “legítima defesa da honra” para justificar o feminicídio, tese aceita pela Justiça até ser invalidada pelo Supremo Tribunal Federal em 2023.
Papel exige mergulho histórico e psicológico
Para compor a personagem, Estiano estudou o Brasil dos anos 1970 e leu autoras como Simone de Beauvoir, Lélia Gonzalez, Annie Ernaux e Djamila Ribeiro. A pesquisa revelou, segundo ela, como o machismo se infiltra nas relações cotidianas. “Precisamos admitir que somos criados dentro dessa estrutura e, por isso, reproduzimos padrões”, observa.
Violência estrutural ainda presente
A atriz chama atenção para a coincidência trágica entre a exibição de cenas de Ângela Diniz e recentes casos de feminicídio no Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. “O feminicídio é só a ponta do iceberg. A violência começa no nascimento, quando nossas vozes são descredibilizadas”, diz.
Hipervigilância e moda como manifesto
Estiano relata situações de hipervigilância de gênero: “Não gosto de usar sutiã, mas às vezes coloco para não me sentir exposta. Agora entendo que a transparência da roupa pode ser um ato político”. A artista também subverte regras de moda, customizando peças e incorporando mais cores à vida: “Enquadrar é aprisionar”.
Novos projetos e crítica social
Além da série sobre Ângela Diniz, a atriz grava “Habeas Corpus” (Netflix), em que vive uma advogada empenhada em reverter a condenação de um inocente. Ao comparar as produções, ela conclui que conhecer a estrutura social é essencial para transformar a realidade: “O privilegiado tem desinteresse em mudar algo que considera vantajoso. A violência também se ampara na ignorância”.
Imagem: Huds Rennan FSAG
Conexão com a natureza
Estiano equilibra a intensidade dos papéis com retiros na natureza. “Só ela drena minha ansiedade e reconecta meu corpo”, conta. Esse refúgio reforça a disposição da atriz para continuar abordando temas urgentes dentro e fora das telas.
Organizações como ONU Mulheres destacam que, no Brasil, uma mulher é vítima de feminicídio a cada sete horas. A discussão levantada por Estiano, portanto, se alinha a recomendações globais de combate à violência de gênero.
O resgate da história de Ângela Diniz, as críticas ao patriarcado e a defesa de mudanças estruturais posicionam Marjorie Estiano como voz atuante no debate sobre direitos das mulheres.
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Crédito da imagem: Hudson Rennan (FSAG)


