Regina Casé volta aos palcos após um período de perdas que abalou sua rotina pessoal e profissional. Em 2025, a atriz se despediu de amigos próximos, como Preta Gil, Arlindo Cruz e a ialorixá Mãe Carmen, do Terreiro do Gantois. O luto virou força criativa e resultou no monólogo “Viva! Vida”, em cartaz no Teatro Sesc Ginástico, no Rio de Janeiro.
No espetáculo, Casé dialoga com o marido, o autor e diretor Estevão Ciavatta, e com os cientistas Antônio Nobre e Fábio Scarano para refletir sobre meio ambiente, ancestralidade e o lugar do ser humano no planeta. A peça percorre desde a formação geológica da Terra até os desafios contemporâneos, ressaltando a urgência de repensar hábitos e preservar a natureza.
Regina Casé volta aos palcos com solo Viva! Vida no Rio
Segundo a atriz, a obra nasceu como um processo de cura. “Perdi muitas pessoas estruturais na minha vida. Sentia que tudo tinha saído do lugar”, afirma. Ciavatta percebeu que o palco poderia funcionar como espaço “sanativo”, ajudando-a a transformar dor em arte e a compartilhar a mensagem de que “somos apenas um grãozinho de areia” diante da grandiosidade do universo.
Casé e Ciavatta, casados há 26 anos, acostumaram-se a misturar vida pessoal e trabalho. A parceria inclui programas de TV e séries documentais sobre cultura e sustentabilidade. “Já renovamos os votos várias vezes. Passamos por momentos duros, o que nos deixou mais cascudos”, conta a artista.
O casal é pai de Roque, 13 anos. No palco, a atriz aborda o desafio de criar um rapaz negro em um mundo ainda marcado por racismo e conservadorismo. “Hoje, algumas pessoas ostentam o preconceito”, lamenta, embora reconheça avanços na representatividade que não existiam em sua infância.
Além do tema racial, o monólogo discute a relação cada vez mais intensa dos adolescentes com o universo digital. Casé demonstra preocupação com o futuro do filho, mas reforça acreditar na educação antirracista e inclusiva que oferece em casa e por meio do Instituto Janelas Abertas, projeto que concede bolsas de diversidade em escolas particulares.
Numa perspectiva ambiental, a atriz defende a integração entre ciência e espiritualidade para ampliar a consciência coletiva. “Precisamos entender que não há vida sem água limpa, ar puro, árvores e animais”, resume. O argumento dialoga com estudos sobre clima apresentados no texto, alinhando arte e divulgação científica. Sobre o assunto, a National Geographic reforça que preservar a Amazônia é vital para mitigar mudanças climáticas globais.
Imagem: Reprodução
O retorno de Casé ao teatro carrega também reflexões sobre autoestima e envelhecimento. Sem recorrer a procedimentos invasivos, a atriz credita sua imagem natural ao sucesso de personagens premiadas, como a Dona Lourdes de “Amor de Mãe”. “A escolha me trouxe boas recompensas e coerência com minha trajetória”, garante.
“Viva! Vida” fica em cartaz de 5 a 7 de junho, com sessões às 19h nas quintas e sextas e às 17h nos sábados e domingos. O Teatro Sesc Ginástico fica na Avenida Graça Aranha, 187, Centro do Rio.
Em pouco mais de uma hora de apresentação, Casé convida o público a rever a própria história, relativizar a morte e abraçar a responsabilidade coletiva pelo futuro do planeta. “Quando ampliamos o olhar, percebemos que tudo está conectado”, conclui.
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