Tráfico de Mounjaro: carona quase leva jovem à prisão

Tráfico de Mounjaro foi a acusação que quase recaiu sobre a universitária Isabela Modanez, 26, depois de aceitar uma carona por aplicativo de Curitiba (PR) a Registro (SP). A viagem, solicitada no BlaBlaCar, terminou em abordagem da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na altura de Cajati, já no litoral paulista, com apreensão de dezenas de canetas do medicamento e suspeita de receita falsificada.

Segundo relato publicado nesta segunda-feira (25), o casal responsável pela corrida afirmou ter ido “apenas deixar o filho” na capital paranaense, mas, na verdade, retornava do Paraguai. Monitorada por câmeras na fronteira, a dupla foi interceptada pouco depois de cruzar a divisa estadual.

Tráfico de Mounjaro: carona quase leva jovem à prisão

Despertada pela voz dos motoristas, Modanez ouviu o pedido para que todos dissessem ser “amigos voltando de uma festa”. Os agentes ignoraram a versão e vasculharam o veículo, onde encontraram as canetas de Mounjaro — medicamento injetável usado no tratamento de diabetes tipo 2 e emagrecimento — e uma prescrição de autenticidade duvidosa. Todos foram levados à delegacia de Barra do Turvo, a duas horas dali, onde permaneceram cerca de cinco horas.

A estudante só não foi revistada porque outro passageiro era policial e presenciara sua chegada ao ponto de encontro, em um posto de combustíveis de Curitiba. Ele confirmou à autoridade que as duas jovens eram usuárias comuns da plataforma, sem relação com o casal investigado.

Ao final, a PRF apreendeu as canetas e o automóvel. “Até provar que não era meu, foi desesperador”, contou Isabela, que aconselhou futuros viajantes a registrarem detalhes de cada deslocamento, incluindo fotos e prints das conversas no app. O episódio evidencia o risco de se tornar parte de um crime de transporte de medicamentos controlados sem qualquer envolvimento direto.

Em contato com a reportagem, a Polícia Rodoviária Federal confirmou que casos semelhantes são frequentes na BR-116, rota usada por contrabandistas que trazem produtos do Paraguai. Já o BlaBlaCar não respondeu até o fechamento desta edição; o texto será atualizado caso haja posicionamento.

Após ser liberada, Isabela foi buscada por um amigo e decidiu não utilizar mais o serviço de caronas, preferindo ônibus ou locação de veículos. Ela ressalta que o motorista detinha mais de 300 avaliações positivas, o que lhe passou a falsa sensação de segurança.

O incidente reacende o debate sobre a responsabilidade das plataformas de compartilhamento de viagens na checagem de condutores e na proteção dos usuários, sobretudo quando se trata de transporte interestadual de medicamentos sujeitos a controle especial.

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Imagem: Reprodução

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