Artistas abrem mão de cachê para garantir a realização da 30ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, marcada para este domingo (7), na Avenida Paulista. A medida tornou-se necessária após a organização enfrentar uma queda de 60% no patrocínio privado, segundo a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP).
A rapper e artista multimídia Jup do Bairro, escalada para o Trio de Visibilidade Travesti/Trans, é uma das vozes que dispensaram o pagamento habitual. “Nossa presença se faz urgente neste momento”, afirmou, ressaltando que o corte afeta diretamente a renda de criadores independentes.
Artistas abrem mão de cachê na Parada LGBT de SP 2024
Além de Jup, nomes populares como Pabllo Vittar, Gloria Groove e Urias aceitaram reduzir seus valores à metade. Outros, caso de Pepita, MC Soffia e Bixarte, concordaram em tocar por ajuda de custo. O esforço coletivo busca cobrir despesas que variam de R$ 40 mil a R$ 85 mil por trio elétrico, elemento central da manifestação.
Reconhecida pelo Guinness como a maior parada LGBT+ do mundo, a edição paulista já reuniu 4 milhões de pessoas em anos anteriores. Para 2024, a expectativa da APOLGBT-SP é de até 2 milhões de participantes, movimentando R$ 466,2 milhões na economia local — R$ 82 milhões a menos que em 2023.
O recuo dos patrocínios coincide com a revisão de políticas de diversidade em grandes empresas. “Muitas marcas passaram a agir com cautela diante de pressões conservadoras”, declarou Matheus Emílio, da secretaria-geral da entidade. Esse comportamento corporativo também foi apontado em reportagem do g1, que citou o temor de retaliações ao apoiar causas LGBT+ em um cenário político polarizado.
Mesmo diante das dificuldades, a programação manterá 14 trios elétricos com artistas, coletivos culturais e organizações sociais. O tema deste ano, “A voz da urna é a voz do povo”, reforça a importância do voto consciente em defesa dos direitos humanos.
Para Bixarte, cantora paraibana que também renunciou ao cachê, a decisão tem sentido político: “Quando há cortes, pessoas trans e LGBTQIAPN+ são as primeiras atingidas”. MC Soffia concorda: “Sou bissexual e o rap é música de resistência; estar aqui é necessário independentemente do pagamento”.
Imagem: Getty s
O impacto ultrapassa o Mês do Orgulho, período que costumava concentrar a maior fonte de renda desses artistas. A diminuição afeta especialmente quem atua de forma independente, sem selo ou gravadora, realidade da maioria das atrações confirmadas.
Além das pressões financeiras, a Parada enfrenta propostas legislativas como o projeto do vereador Rubinho Nunes (União Brasil), que tenta restringir a presença de menores no evento e transferi-lo para espaços fechados. A APOLGBT-SP avalia que tais iniciativas intensificam a necessidade de defender o espaço público e a visibilidade da comunidade.
Embora a Prefeitura ofereça suporte logístico — banheiros químicos, gradis e atendimento médico — todo o orçamento da festa depende da captação privada. Sem o engajamento de artistas e público, a manutenção da Parada seria inviável, aponta a entidade.
Em síntese, a 30ª Parada do Orgulho LGBT+ evidencia o compromisso de músicos e performers com a causa, mesmo à custa do próprio rendimento. Para continuar informado sobre temas de diversidade e bem-estar, acesse nosso conteúdo em Beleza e acompanhe as próximas notícias.
Crédito da imagem: Foto: Gustavo Vieira


